Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Biomédicas

O que a Medicina junta, a vida não separa.
25 de Junho, 2015 "Vais ser sempre a minha pequenina."

eu lembraria que o amor nos dá uma forma difícil de coragem

Fala-se de amor para falar de muitas coisas que entretanto nos sucedem. Para falar do tempo, para falar do mundo usamos o vocabulário preciso que nos dá o amor. Eu amo-te. Quer dizer: eu conheço melhor as estradas que servem o meu território. Quer dizer: eu estou mais acordado, não me enredo nas silvas, não me enredo, não me prendo nos cardos, não me prendo. Quer também dizer: amar-te-ei cada dia mais, estarei cada dia mais acordado. Porque este amor não pára. E para falar da morte; da enorme definitiva irremediável morte, do carro tombado na valeta sacudindo uma última vez (fragilidade) as rodas acendedoras de caminhos - eu lembraria que o amor nos dá uma forma difícil de coragem, uma difícil, inteira possessão de nós próprios, quando aveludada a morte surge e nos reclama. Porque eu amo-te, quer dizer, eu estou atento às coisas regulares e irregulares do mundo. Ou também: eu envio o amor sob a forma de muitos olhos e o...

Arrependi-me sempre das palavras

Escrevi até o princípio da manhã aparecer na janela. O sol a iluminar os olhos dos gatos espalhados na sala, sentados, deitados de olhos abertos. O sol a iluminar o sofá grande, o vermelho ruço debaixo de uma cobertura de pêlo dos gatos. O sol a chegar à escrivaninha e a ser dia nas folhas brancas. Escrevi duas páginas. Descrevi-lhe o rosto, os olhos, os lábios, a pele, os cabelos. Descrevi-lhe o corpo, os seios sob o vestido, o ventr e sob o vestido, as pernas. Descrevi-lhe o silêncio. E, quando me parecia que as palavras eram poucas para tanta e tanta beleza, fechava os olhos e parava-me a olhá-la. Ao seu esplendor seguia-se a vontade de a descrever e, de cada vez que repetia este exercício, conseguia escrever duas palavras ou, no máximo, uma frase. Quando a manhã apareceu na janela, levantei-me e voltei para a cama. Adormeci a olhá-la. Adormeci com ela dentro de mim. Nunca me tinha apaixonado verdadeiramente. A partir dos dezasseis anos, conheci muitas mulheres, senti algo por t...

O meu bom "Bom dia" de hoje ;-)

“Pense-se em como o silêncio dá a ver o património de uma amizade. E a pergunta é: como percebemos que dois desconhecidos são amigos? Pela forma como conversam? Certamente. Pelo modo como se riem? Claro que sim. Mas ainda mais porque nitidamente acolhem o silêncio um do outro. Entre conhecidos o silêncio é um embaraço, sentimos imediatamente a necessidade de fazer conversa, de ocupar o espaço em branco da comunicação. Com os amigos o silêncio nada tem de embaraçoso. O silêncio é um vínculo que une.” http://www.snpcultura.org/ precisamos_de_uma_iniciacao_ ao_silencio.html