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Define-se a Cristo segundo categorias estéticas como génio religioso, diz-se que é o maior dos mestres éticos, admira-se o seu caminho para a morte como um heróico sacrifício pelas suas ideias. Só há uma coisa que não se faz: não se o toma a sério, ou seja, ninguém põe o centro da sua vida em relação com a pretensão de Cristo dizer e ser  a revelação de Deus. Mantém-se uma distância entre si mesmo e as palavras de Cristo e não se permite que haja qualquer encontro sério. Dietrich Bonhoeffer
do  Povo  de papinto PARA HOJE / 7.MAIO À primeira vista, amar parece prender! Mas amar é bem mais que paixão. E quem ama verdadeiramente, querendo o bem do outro e fazendo tudo para que o outro seja ele mesmo, não só fica tanto mais livre quanto mais ama, como liberta o outro. Amar em profundidade liga, mas não prende. Não domino nem uso aqueles que amo - promovo-os! Só o amor nos fará livres. NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS Vasco P. Magalhães, sj Edições Tenacitas  -  www.tenacitas.pt   365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê.
Por Miguel Esteves Cardoso Voltámos para casa anteontem, nesse dia sagrado. Não há no mundo maior delícia do que a normalidade. Cada palavra da Maria João soa-me a música amada. Nos livros avisam que a remoção de tumores cancerosos do cérebro pode provocar alterações de personalidade. Eu tinha medo que ela deixasse de ser a Maria João que eu amo. Mais medo ainda tinha que ela deixasse de me amar. A primeira vez que a vi, poucas horas depois da cirurgia, no remanso dos cuidados intensivos, perguntei-lhe se ela me reconhecia. E ela recuou a cabeça ligada, fez uns olhos de surpresa repugnante e perguntou, com convencimento: "Mas quem é o senhor?"   Nem sequer foi o sentido de humor a primeira coisa a regressar. Nunca se foi embora. A Maria João não recuperou: manteve-se. O milagre não lhe era exterior. O milagre é ela. Ela e todas as pessoas de quem ela gosta, que gostam dela. Eu bem que tento guardá-la como um segredo. Mas só estou bem, quando tenho a sorte de ouvi-la e ...
A cidade é a mesma e no entanto há portas que não posso atravessar sítios que me seria doloroso outra vez visitar onde mais viva que antes tenho medo de encontrar-te Morreste mais que todos os meus mortos pois esses arrumei-os festejei-os enquanto a ti preciso de matar-te dentro do coração continuamente pois prossegues de pé sobre este solo onde um por um perigo os meus fantasmas e tu és o maior de todos eles não suporto que nada haja mudado que nem sequer o mais elementar dos rituais pelo menos marcasse em tua vida o antes e o depois forma rudimentar de morte e afinal morte que por não teres morrido muito mais tenhas morrido ruy belo

A ajuda dos outros

Por Miguel Esteves Cardoso A remoção do tumor do cérebro da Maria João correu bem. Os nossos amigos ajudaram muito, mas quero agradecer a ajuda de pessoas que não conhecíamos e não conhecemos. Foram os outros: desde os neurocirurgiões de Santa Maria até às muitas pessoas que nos deram força e rezaram, escrevendo mensagens bonitas e cheias de bondade e de inteligência. Foram os outros que nos salvaram. Cito o excelentíssimo blogue bipolaridades, por ter a maior das razões: "Não são só os neurocirurgiões a salvar a tua MJ. É uma equipa de profissionais de saúde. São (...) também os enfermeiros e os auxiliares que irão fazer os pensos da MJ, que te irão sorrir, pôr a mão no ombro, que te irão dar palavras e silêncio de conforto, que irão zelar pelo conforto da MJ, são os auxiliares da imagiologia que a irão levar e trazer para repetir TAC e RX, são os técnicos de análises clínicas que irão colher e analisar o sangue da MJ, são os técnicos de farmácia e farmacêuticos que irão p...
se tudo fosse só teu (uma despedida) Por quanto em mim De ti havia Que a alma me enganava Em nova vida Dei a sombra Que me queimava E era minha, Mas mesmo assim Não me seguia. De tanto querer Achei em mim A pessoa querida Que eras tu, E assim esqueci Por completo Quem era Ao certo Quem te queria. Era eu, Fui sempre eu Que tu, A ver comigo, Que com o meu amor, Nada eras E nada tinhas. Por muito ter amado Em tão pouca coisa Percebi quanto doía O que também me era dado: Amar sem querer mais nada E deixar-me ficar Só por ti. Em vez de também me dar Para teu mal E para meu, Calava-te, Amava-te, E mais não fiz Senão isto, Que tu um dia dirás Se é verdade ou não, Calava-me, amava-te: Recebia-me. E ia deitando tudo fora, Tudo o que foi teu E me foste dando, À medida que mo davas. Como havia de guardar O que não me pertencia? Fui recebendo. Depois dei por mim E sabes que mais? Morria. Alguém morria. Por tudo o que uma vez foi teu E teu, apenas, Amor, Alguém morria Mas era alguém Que não...