Sinto viver em mim um mar ignoto, E ouço, nas horas calmas e serenas, As águas que murmuram, como em prece, Estranhas orações intraduzíveis. Ouço também, do mar desconhecido, Nos instantes inquietos e terríveis, Dos ventos o guaiar desesperado E os soluços das ondas agoniadas. Sinto viver em mim um mar de sombras, Mas tão rico de vida e de harmonias, Que dele sei nascer a misteriosa Musica, que se espalha nos meus versos, Essa música errante como os ventos, Cujas asas no mar geram tormentas. Augusto Frederico Schmidt