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http://zenpencils.com/comic/76-neil-armstrong-a-giant-among-men/
Silêncio! Não vês? - Repara: A manhã faz-se mais clara... Silêncio! Devagarinho... Cuidado com as pedras do caminho... Silêncio! Não fales... não... Deixa-me ouvir bater o coração... Silêncio! Todo o Universo Está ali-dentro dum berço! Além... Não vês que dorme uma criança? Silêncio! É Deus que descansa. Miguel Torga
Sinto viver em mim um mar ignoto, E ouço, nas horas calmas e serenas, As águas que murmuram, como em prece, Estranhas orações intraduzíveis. Ouço também, do mar desconhecido, Nos instantes inquietos e terríveis, Dos ventos o guaiar desesperado E os soluços das ondas agoniadas. Sinto viver em mim um mar de sombras, Mas tão rico de vida e de harmonias, Que dele sei nascer a misteriosa Musica, que se espalha nos meus versos, Essa música errante como os ventos, Cujas asas no mar geram tormentas. Augusto Frederico Schmidt
«Não sei orar. Palestrar também não sei. Eu não sei conversar. O verbo que me tocou em sorte na distribuição dos verbos só é fluente quando o escrevo. Se o pronuncio, emperra. É perro. Melhor direi se lhe chamar perronho. Mas não é só debitar fala quando se conversa. É preciso escutar o interlocutor. Embora mudo por cortesia, é indispensável ouvi-lo para verificar se o silêncio é atento ou distraído, anuente ou repontão, amigo ou inimigo. Quem conversa mais precisa de ouvido que de língua». João de Araújo Correia
Fernando comprou um livro de poesia com oitocentas páginas mas só conseguiu ler quinhentas António sonhou com o Evereste na magnitude mas só precisava de mudar uma lâmpada Rita imaginou um poema para Fernando mas só tinha que aceitar o jantar de quinta A lâmpada pensou que era um poema e fundiu-se sem iluminar a sala Luís aproveitou a escuridão da sala para dizer a Rita um poema com montanhas Trezentas páginas que nunca foram lidas arquitectam com a lâmpada a salvação do mundo Rui Costa, in  A Nuvem Prateada das Pessoas Graves , Quasi Edições, Maio de 2005, p. 30.
Às vezes somos o que somos Às vezes somos quem fomos Mas às vezes tantas vezes Fomos Aquilo que nunca somos Somos e fomos por um dia E às vezes por fantasia Se perturba tanto, ser ... Querendo ser o que somos E aquilo que nunca fomos Fomos tudo Somos nada Fomos aquilo que somos E às vezes e quantas vezes Tantas vezes a dizer Nunca sabemos quem fomos E nunca soubemos ser  in Poemas com Sabor a Sol a Sal e A-mar, Isabel R. Monteiro, Edições Esgotadas