Continuo a gostar tanto deste poema como se não fosse meu. acredito na verdade dos lugares onde posso ir descalça não me envergonha a pobreza da alma que lhes entrego das mãos estendidas dou-lhes o vazio e em vazios recebo a fome de voltar a sede de voltar a insónia de quem volta ... todos os dias Patrícia
Nesse dia, em junho, no Sul de França, o dia em que Ziad entrou na Líbia, nadei sozinho no mesmo mar Mediterrâneo. Por algum motivo, recordei de uma forma mais nítida do que nunca que havia sido o meu pai quem me ensinara a nadar: segurando-me à superfície, com uma mão a empurrar-me o ventre, dizendo: - Isso mesmo. Nunca tive medo do mar, até ele desaparecer. o Regresso Hisham Matar
Esse que em mim envelhece assomou ao espelho a tentar mostrar que sou eu. Os outros de mim, fingindo desconhecer a imagem, deixaram-me a sós, perplexo, com meu súbito reflexo. A idade é isto: o peso da luz com que nos vemos. Mia Couto
(...) Nada sabemos da alma Senão da nossa; As dos outros são olhares, São gestos, são palavras, Com a suposição de qualquer semelhança No fundo. 1934 fernando pessoa poesias inéditas (1930-1935) ática 1955