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peço ao tempo
com tempo
o tempo de clausura
                para viver
tudo o que não viverei

hei-de sentir
                                    finalmente
o travo das amoras
que os meus pais colheram
muito antes

de mim


PO


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Creoula

Não há como não ter saudade de estar "no meio do nada" e simplesmente confiar.

Em contagem decrescente

Talvez eu seja O sonho de mim mesma. Criatura-ninguém Espelhismo de outra Tão em sigilo e extrema Tão sem medida Densa e clandestina Que a bem da vida A carne se fez sombra. Talvez eu seja tu mesmo Tua soberba e afronta. E o retrato De muitas inalcançáveis Coisas mortas. Talvez não seja. E ínfima, tangente Aspire indefinida Um infinito de sonhos E de vidas. HILDA HILST Cantares de perda e predileção, 1983