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Quando saíres a caminho da ida para Ítaca, faz votos para que seja longo o caminho, cheio de aventuras, cheio de conhecimentos. Os Lestrígones e os Ciclopes, o zangado Poséidon não temas, coisas assim no teu caminho não acharás nunca, se o teu pensamento permanecer elevado, se emoção requintada o teu espírito e o teu corpo tocar. Os Lestrígones e os Ciclopes, o selvagem Poséidon não encontrarás, se com eles não carregares na tua alma, se a tua alma não os colocar à tua frente. Faz votos para que seja longo o caminho. Para que sejam muitas as manhãs de verão nas quais com que contentamento, com que alegria entrarás em portos vistos pela primeira vez; para que páres em feitorias fenícias, e para que adquiras as boas compras coisas de nácar e coral, de âmbar e de ébano, e essências de prazer de qualquer espécie, quanto mais abundantes puderes essências de prazer; para que vás a muitas cidades egípcias, para que aprendas e aprendas com os letrados. Deves ter sempre Ítaca na tua mente. A ch...
“Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.” (Jo. 12, 24) Jesus ressuscitado conserva no seu corpo as marcas da Paixão. E isto faz toda a diferença. Se as marcas da Paixão tivessem desaparecido, se não houvesse relato nenhum de que Tomé tivesse podido tocar nas mãos e no lado de Jesus, corríamos o risco de pensar que a Paixão foi apenas alguma coisa evitável, que a Ressurreição tratou de resolver. Mas a Paixão e a Ressurreição são indissociáveis, não há uma sem a outra, porque não existe ninguém que ao amar também não morra. É claro que isto provoca em nós uma espécie de repulsa mas o verdadeiro amor, aquele de que Jesus viveu, é a escolha, é o acto, é a atitude de pôr o outro à nossa frente, ou, como diz S. Paulo, “considerai os outros superiores a vós próprios, não tendo cada um em mira os próprios interesses, mas todos e cada um exactamente os interesses dos outros.” (Fil. 2, 3-4) Corremos o risco de olhar para a Ressurreição como...
Sete histórias da Bíblia no Dia Internacional do Livro Infantil O Dia Internacional do Livro Infantil assinala-se esta segunda-feira, 2 de abril, e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura assinala a ocasião com sete narrativas e sete ilustrações de Ilda David’ extraídas do livro “Histórias escolhidas da Bíblia”, selecionadas pelo padre José Tolentino Mendonça. A história dos primeiros dias do mundo E Deus disse: Haja luminárias no estendimento do céu, para fazer separação entre o dia e a noite; a luminária grande, para senhorear o dia, e a luminária pequena, para senhorear a noite; e as estrelas. E foi tarde, e a manhã, o dia quarto. E Deus disse: Produzam as águas abundantemente seres viventes: e voem as águas sobre o estendimento do céu. E Deus criou grandes baleias, e todas as aves. E foi a tarde, e a manhã, o dia quinto. E Deus disse: Façamos o Ser Humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança, e apascentem os peixes do mar, e as aves do céu, e todo o anim...
«À procura, procura do vento. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vencê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer e renascer. Porque a minha força é imortal.» José Luís Peixoto, in Cemitério de Pianos
Sábado da quinta semana: Reaprender a arte da procura (I) «Qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: “Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.” Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.» (Lucas 15, 8-10) A mulher tinha dez moedas e, tendo perdido uma, não pensou comodamente que ainda ficaria com nove: decidiu procurar a parte perdida do seu tesouro. «Tu és a minha esperança, ó Senhor Deus, e a minha confiança desde a juventude», reza o Salmo 71. E há uma juventude de alma que aqui se joga. A mulher não culpou ninguém pela perda, não procurou bodes expiatórios, não ficou de mau humor, nem deprimida... mas também não se deixou ficar de braços cruzados. E nós? Se calhar ainda nos restam nove ou sete ou cinco ou três moedas... E podemo-nos tentar consolar e enganar com elas, fin...
Espiritualidade Da Quaresma à Páscoa 6.º Domingo da Quaresma: Reaprender a arte da procura (II) «Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: “Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.” Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.» (Lucas 15, 8-10) Varrer Varrer é um verbo ativo. Não fico apenas a lamentar o sucedido. Aceito «varrer», limpar, transformar, aclarar. Amontoam-se poeiras e desordens de todo o tipo. Penso, muitas vezes, no minúsculo planeta do Principezinho, a personagem criada por Saint-Exupéry. «Como em todos os planetas, no planeta do Principezinho havia ervas boas e ervas daninhas e, logo, sementes boas de ervas boas e sementes daninhas de ervas daninhas. Mas as sementes são invisíveis. Dormem no segredo da terra até que a uma lhe dê para acordar... Então, es...