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Naquela época eu tinha medo do silêncio e não percebia que não havia mal nenhum em ficar em silêncio a meio de uma conversa, ou mesmo não haver conversa entre duas pessoas que vão lado a lado.

O silêncio é como o mar.

Envolve-nos e pode submergir-nos, se não soubermos lidar com ele, mas pode também embalar-nos, se perdermos o medo e nos deixarmos ir.

Em ambos, mar e silêncio, nada pior do que esbracejar de pânico.


RUI ZINK, A espera, 2007.

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