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O sonho da felicidade

Apanhar caranguejos à meia-noite
às apalpadelas
escolher as pedras mais aguçadas
erguê-las
pegar neles pelo lado inofensivo
metê-los no balde
continuar
com a lanterna na cabeça
procurar
a mão do meu pai
com emoção
e os pés tiritando de mar
e salitre
observar
no meio das sombras
a mão dele segurando com força na minha


cuidado para não pisar o reflexo da lua.



María García Zambrano

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