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Conta-nos S. Marcos que Jesus se sentou diante da caixa das esmolas
a observar quem dava e quanto dava.
Os ricos davam muito e uma pobre viúva deu quase nada.
O que mais me comove é a maneira como Jesus relata aos discípulos o que viu:
a «… viúva, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha,
tudo o que possuía para viver»
Fizeram bem os mais ricos em dar avultadas quantias.
Mas a surpresa vem-nos da coragem da viúva,
só possível em quem confia plenamente na Misericórdia de Deus,
de «dar tudo o que tinha.»
E eu? Quanto teria dado?
Na melhor das hipóteses uma quantia razoável.
E o que é que Jesus esperava de mim?
Certamente o mesmo que a viúva deu.
Deus não me pede nada, mas espera tudo.
Deus não me cobra nada, mas porque me dá tudo,
não se contenta com menos do que tudo.
E eu que tanto Lhe peço e que tanto d’Ele tenho recebido,
nego-lhe este tudo, guardando sempre alguma coisa para mim.
Mas, ainda que desse tudo o que tenho, não daria tudo.
Dar tudo é dar a vida.
E «para que serve a vida, senão para ser dada?»

Rui Corrêa d’Oliveira

http://rr.sapo.pt/rubricas_detalhe.aspx?fid=70&did=84867

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