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Morreste-me

Morreste-me. Mas a memória 
guarda-me o teu cheiro,
as tuas mãos e o teu sorriso. 
Estás em nós e eu estou em ti. 
Eu jamais seria eu sem a tua presença 
constante na minha vida. 
Comparência que eu gostaria de poder prolongar. 
Mantenho a memória acesa 
com pedaços de imagens que me fazem sorrir.
Deixaste-te ficar em tudo... os teus movimentos, 
o eclipse dos teus gestos. 
E tudo isto é agora pouco para te conter. 
Agora, és o rio e as margens e a nascente; 
és o dia, e a tarde dentro do dia,
e o sol dentro da tarde;
és o mundo todo por seres a sua pele.


José Luís Peixoto

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