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Guardar só o que é bom de guardar

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Pé-descalço, alma-na-lua

A sede do silêncio é um fruto do silêncio. A sede da palavra nasce da palavra que nasce do silêncio. A necessidade do silêncio é uma necessidade da palavra que (não) se perde na palavra. Distância, deserto, de árvore em árvore, a eterna sede, a sede do eterno, da frugal transparência do efémero. Terra, toda a distância da terra em cada sílaba, em cada vocábulo sem água. A página é deserto e caminho errante, obstinado. O horizonte do deserto anula a miragem, nega o imaginário. A sede da página é sede da ausência e sede da palavra do horizonte. A ausência é a segunda dimensão do dia, o outro lábio da terra, a verdadeira voz do vocábulo.





antónio ramos rosa vagabundagem na poesia de antónio ramos rosa seguido de uma antologia casimiro de brito quasi 2001

Coisas que têm quereres

Hoje, 20 de Maio

Depois de duas décadas de ocupação Indonésia,  Timor-Leste tornou-se independente a 20 de Maio de 2002.
São os olhos vazios e sem luz de quem já viu tudo, de quem  já tudo sofreu, menos a morte. Não há luz que lhes dê alento, nem água que lhes mate a sede. Já morreram por dentro tantas vezes que cada instante de vida tem o sabor do milagre e do martírio. Vão não sabem para onde deixando pelo caminho, em chagas, os parcos haveres, os mortos, as saudades. Têm pátria, mas não têm tecto, têm alma, mas não têm casa. E há uma fé feita de raiva e coragem que os mantém vivos. Comendo raízes e folhas de bananeira resistindo à sede e à malária. Há uma mãe agachada sob as estrelas que molha os lábios do filho com as últimas lágrimas de um infinito sofrimento. Há nas montanhas uma luz pálida que acende na noite maubere a derradeira centelha de esperança.
Um dia voltarão às suas casas para cantar.
José Jorge Letria
Não tinhas nome; ou tinhas, mas não teu.
E a tua idade: as tuas mãos nas minhas.




jorge de sena
fidelidade (1958)
trinta anos de poesia
editorial inova
1972
Sê o dono de ti
Sem fechares os olhos.


Na dura mão aperta
Com um tacto encavado
O mundo exterior
Contra a palma sentindo
Outra cousa que a palma.


11-8-1918

ricardo reis
fernando pessoa
imprensa nacional-casa da moeda
1994