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A mostrar mensagens de Novembro, 2013

Viajei...cá por dentro ;-)

"O Senhor está sempre na minha presença."

Não aprendi a colher a flor
sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.

Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.

Careço da habilidade da onda,
hei-de aprender a carícia da brisa.

Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.

Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.

Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.

Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim?

Mia Couto
Este é o tempo

Este é o tempo

Da selva mais obscura



Até o ar azul se tornou grades

E a luz do sol se tornou impura



Esta é a noite

Densa de chacais

Pesada de amargura



Este é o tempo em que os homens renunciam.




Sophia de Mello Breyner, Mar Novo (1958)
Nunca mais
A tua face será pura, limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei Senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem possa viver
Sempre.
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei Senhor que possa morrer.

Sophia de Mello Breyner
É comum considerar-se miserável o que se contenta com o que lhe é dado viver... mas, desgraçado será quem que se cega por tanto desejo e se faz infeliz por opção
Apreciar o simples não é um falhanço mas uma graça.



José Luís Nunes Martins

http://www.ionline.pt/iopiniao/teoria-da-relatividade-essencial/pag/2
Claramente Sophia

"O Senhor está sempre na minha presença."

Retiro de Chefes Missão País 2014

"O Senhor está sempre na minha presença."

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"
Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"

" O Senhor está sempre na minha presença."

Missão País. Está a chegar a hora de à periferia levar o centro...Cristo!

Se não paro tenho a vida parada!
Se quero ser santo e mudar assim tanto, Vou seguir Jesus, vou sair do meu canto!

"O Senhor está sempre na minha presença."

Abriu-se a porta e o tempo saiu vestido de branco - - todas as noites uma estrela caminhará, alguma há-de acertar com a rota já esquecida.
Mas os homens, se isto virem, julgarão que o mundo acaba.


Jorge de Sena
«Não é da vontade de Deus
que a alma se perturbe com coisa alguma
nem que sofra amarguras;
e, se as sofre com as contrariedades do mundo,
isso deve-se à sua pouca virtude,
porque a alma perfeita alegra-se
naquilo em que a imperfeita se atormenta.»

S. João da Cruz, Ditos de Luz e Amor 56
A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.




Manuel António Pina

Rezei

Senhor,
no meio das muitas nuvens que aparecem no nosso dia a dia,
não somos capazes de ver quem Tu és e o que significas para nós.
No meio dos muitos ruídos que atravessam a nossa vida,
não conseguimos muitas vezes ouvir-te.
E, assim, vamos caminhando, deixando que o tempo passe,
preocupados simplesmente com o imediato e com aquilo
que vamos conseguindo fazer com o trabalho das nossas mãos.
Esquecemos, Senhor, que a vida é um dom,
e que é essa gratuidade de nos teres chamado à vida
que dá sentido e esperança ao nosso próprio viver:
nas alegrias e nas tristezas, nos êxitos e nos fracassos,
no agora que vivemos,
e na eternidade que esperamos.


José Borges de Pinho


http://rr.sapo.pt/rubricas_detalhe.aspx?fid=70&did=129832
Inúmeras vezes concebemos a esperança de uma maneira demasiado individualista, apenas como a nossa salvação pessoal. Ora, a esperança apoia-se essencialmente nas grandes ações de Deus que dizem respeito a toda a criação. Implica o destino de toda a humanidade. É a salvação do mundo que nós esperamos. Na realidade, a esperança implica a salvação de todos os homens - e é só na medida que eu me incluo neles que ela me diz respeito.



Cardeal Jean Daniélou, sj

A alegria dos outros

As pessoas felizes são aquelas capazes de dedicar-se a alegrias que não lhes pertencem. De conspirar discretamente para que elas aconteçam. De favorecê-las de muitas maneiras. E, por fim, de apagar-se para dar-lhes todo o lugar.


Acho que me encontrei uma única vez com Miguel Esteves Cardoso. Foi, inclusive, um desses encontros de acaso: eu i-a almoçar com um amigo e encontrei-o num restaurante, pronto para fazer o mesmo com um amigo seu, que era meu também. Rapidamente, as mesas para dois transformaram-se numa única mesa maior. E assim ficámos, fazendo aquilo que à mesa de faz: alimentando-nos da comida, mas igualmente (ou sobretudo) da presença, esperada e inesperada, uns dos outros. O Miguel Esteves Cardoso estava nessa altura com um projeto de um livro sobre um mestre de cozinha japonês, que fez questão de tratar, ele próprio, de tudo aquilo que nos foi servido. Recordo-me que, no breve tempo que durou a refeição, aprendi imensas coisas sobre aquele mundo. Aprendi, por exemplo, que…

No Pó de Lua, encontrei...

"Sejam realistas, peçam o impossível."
Camus
Às vezes penso que a vida tranquila é inimiga de uma vida tranquila.

Tenho o que quis ter, sou feliz porque nada me falta para ser feliz.

Vivo num equilíbrio certo e tão imune a tudo que me vejo obrigada a ele, incapaz de tristezas profundas ou infelicidades justificadas.

Há outras maneiras de ser feliz que não conheço mas intuo, serão fugazes e ardentes, arrebatadoras, isso, arrebatadoras.


- NUNO CAMARNEIRO, Debaixo de algum céu, 2013 (Manuela).

"O Senhor está sempre na minha presença"