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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2012

(H)oração 30.11.2012 “…uns para com os outros e para com todos…”

Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começaram a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima. Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados pela intemperança, a embriaguez e as preocupações da vida, e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha, pois ele atingirá todos os que habitam a face da terra. Portanto, vigiai e orais todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo o que vai acontecer e comparecer diante do Filho do homem.” Lucas 21,25-28.34-36)
- Na minha vida, e no mundo à minha volta, há sinais… Que sinais me causam medo ou perplexidade?
- É no …
The gospel is simply a catalogue of unexpected things. It’s not to be expected that an ox and an ass should worship at the crib. Animals are always doing the oddest things in the lives of the saints. It’s all part of the poetry, the Alice-in-Wonderland side, of religion.Lady Marchmain inBrideshead Revisited

(H)oração 23.11.2012 “…desde a eternidade. (…) por todo o sempre…”

Naquele tempo, disse Pilatos a Jesus: «Tu és o Rei dos judeus?». Jesus respondeu-lhe: «É por ti que o dizes, ou foram outros que to disseram de Mim?». Disse-Lhe Pilatos: «Porventura eu sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes é que Te entregaram a mim. Que fizeste?». Jesus respondeu: «O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que Eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui». Disse-Lhe Pilatos: «Então, Tu és Rei?». Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou Rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz».
Jo 18, 33-37


“É por ti que o dizes, ou foram os outros que to disseram de Mim?” O que é que eu digo de Jesus? Porque é que  digo (é o que os outros dizem, o que li, ouvi,…ou em que momentos o experimentei)?
“O meu reino não é o deste mundo.”…”É como dizes: Sou Rei. …” Que Reino é este? Como é que Jesus é Rei? Deixo que Jesus seja o meu Rei? Qu…

Maravilhoso

Solidão, de si, significa isolamento. E pode estar-se isolado sem experimentar a soledade. Soledade, sim, abarca o conjunto de sentimentos e vivências apontadas: o sem ninguém.(...)
A soledade escolhida ou aceite, transforma a solidão. A soledade pode ser positiva enquanto se desliga para se ligar de outro modo. Pode ser bem vivida. A soledade é, também, "soidade" (forma antiga)..., e daí virá nossa palavra "saudade". E a saudade é o ligado desligado. É por estar ligado, não-só, que se experimenta a saudade. Mas é como se a ligação nunca bastasse: estranha condição humana! Aliás, quando dizemos que a pessoa é naturalmente religiosa, estamos a dizer que o seu modo de ser é de se "re-ligar": vive pela "re-ligação", ou seja a "re-ligião" a outro.

O OLHAR E O VER,
À procura do lado construtivo da vida e do por dentro de todas as coisas.
Pe. Vasco Pinto de Magalhães, sj

A grande experiência da desilusão não existe destrinçada da opção pela ilusão. Epicteto chama a nossa a atenção para as “cordas” que insistimos em enlaçar em torno de nossos pés : são estas que nos imobilizam, que nos impedem de correr, que nos prendem. Estas cordas são, muitas vezes, os nossos próprios juízos: o mal não tem uma fisionomia, ele “é” o nosso desacerto; ele não está inscrito presencialmente no mundo , é ferida no tecido do mundo. Arrastamo-nos lamentando o destino, amaldiçoando a vida em vez de a voar.

http://companhiadosfilosofos.blogspot.pt/2012/11/a-vida-em-deliberada-consciencia-ii.html
O papagaio apaixonado decidido bate à porta da sua amada que de dentro lhe pergunta: "quem é?"- "Sou eu", responde. E a porta fecha-se com o seguinte: "Nesta casa não há lugar, dois são demais!".
Triste, o amante vagueia no deserto meditando, reflectindo, até que muito tempo depois, volta à porta da sua amada e bate. "Quem é? "Sou tu", responde. E a porte abre-se de par em par.

MELLO, Anthony de, s.j., O canto do pássaro
"Dar a outra face" é, pois, a sabedoria do amor. É dar sempre, com as diferenças dos casos e das pessoas, a resposta mais construtiva. Responder ao mal com o bem. Amai os que vos perseguem... mas deixá-los bater mais e abusar pode ser falta de amor.

Teilhard de Chardin disse a propósito do amor humano e da sua lógica de morte-vida: "consistirá em centrar-se bem em si próprio, descentrar-se num igual a si e sobrecentrar-se num maior que os dois. Sem perder nenhum dos três pólos"

O homem é solidariedade, mas ainda não. É-o em processo, porque o homem está sendo.

A Ressurreição é na morte e não depois da morte. Descobre-se a Vida que está incluída na morte, ela é o interior da morte, e por isso temos um Sacramento que é o Baptismo, pelo qual vimos à Vida mergulhando na morte de Cristo.

E é importante perder o medo a essa verdade do crescimento humano e da santidade, pois o Santo não é um Super-Homem, é um homem-transformado, transfigurado; ele não é grande-hiper, nem …
I Like For You to be Still
   by Pablo NerudaI like for you to be still: it is as though you were absent,
and you hear me from far away and my voice does not touch you.
It seems as though your eyes had flown away
and it seems that a kiss had sealed your mouth.

As all things are filled with my soul
you emerge from the things, filled with my soul.
You are like my soul, a butterfly of dream,
and you are like the word Melancholy.

I like for you to be still, and you seem far away.
It sounds as though you were lamenting, a butterfly cooing like a dove.
And you hear me from far away, and my voice does not reach you:
Let me come to be still in your silence.

And let me talk to you with your silence
that is bright as a lamp, simple as a ring.
You are like the night, with its stillness and constellations.
Your silence is that of a star, as remote and candid.

I like for you to be still: it is as though you were absent,
distant and full of sorrow as though you had died.
One word then, one smile, is enough.
And I am h…
‎"A amizade é a aceitação positiva do limite. Chega um momento em que vais para tua casa e eu para a minha e isso não representa nenhum drama. Pelo contrário, sabemos que nos havemos de reencontrar; que não nos vendo, não nos perdemos de vista; que o essencial permanece intacto na distância."

Nenhum Caminho será Longo
José Tolentino Mendonça
cada dia é mais evidente que partimos
sem nenhum possível regresso no que fomos não há saudades nem terror que baste.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Conta-nos S. Marcos que Jesus se sentou diante da caixa das esmolas
a observar quem dava e quanto dava.
Os ricos davam muito e uma pobre viúva deu quase nada. O que mais me comove é a maneira como Jesus relata aos discípulos o que viu:
a «… viúva, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha,
tudo o que possuía para viver» Fizeram bem os mais ricos em dar avultadas quantias.
Mas a surpresa vem-nos da coragem da viúva,
só possível em quem confia plenamente na Misericórdia de Deus,
de «dar tudo o que tinha.» E eu? Quanto teria dado?
Na melhor das hipóteses uma quantia razoável.
E o que é que Jesus esperava de mim?
Certamente o mesmo que a viúva deu. Deus não me pede nada, mas espera tudo.
Deus não me cobra nada, mas porque me dá tudo,
não se contenta com menos do que tudo. E eu que tanto Lhe peço e que tanto d’Ele tenho recebido,
nego-lhe este tudo, guardando sempre alguma coisa para mim. Mas, ainda que desse tudo o que tenho, não daria tudo.
Dar tudo é dar a vida.
E «para que serve a vida, senão para s…

(H)oração 16-11-2012 "...e até o meu corpo descansa tranquilo."

Mc, 24-32 "Reunirá os seus eleitos dos quatro pontos cardeais"

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Naqueles dias, depois de uma grande aflição, o sol escurecerá e a lua não dará a sua claridade; as estrelas cairão do céu e as forças que há nos céus serão abaladas. Então, hão-de ver o Filho do homem vir sobre as nuvens, com grande poder e glória. Ele mandará os Anjos, para reunir os seus eleitos dos quatro pontos cardeais, da extremidade da terra à extremidade do céu. Aprendei a parábola da figueira: quando os seus ramos ficam tenros e brotam as folhas, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o Filho do homem está perto, está mesmo à porta. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão. Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai».


- A escolha dos "eleitos" não e…
Foste o gozo do meu pranto, no grito do silêncio da minha oração estavas. Com o fogo do meu coração jogavas e fazias brotar em mim uma canção.
Senhor, sai do meu esquecimento, caminharei para Ti. Quiseste finalmente convidar-me a dar a vida que há em mim.
Do meu fato cinzento foste a cor, quando vestias a minha palavra carente de teu Ser. Juntavas a distância entre a tua luz e o meu caminho, para eu o percorrer sem temor.
Senhor, faz com que o meu destino seja estar perto de ti.
Quiseste finalmente convidar-me a dar a vida que em mim há.
Abre os meus lábios e fala por mim. Toma as minhas mãos e fá-las descobrir. Guia os meus passos, e leva-me a Ti.                                     Leva-me a Ti.
                                           .Miguel.

"Llévame a Tí", in "Silencios Guiados" - 2008, Valladolid.
Por teus olhos acesos de inocência Me vou guiando agora, que anoitece. Rei Mago que procura e desconhece O caminho. Sigo aquele que adivinho Anunciado Nessa luz só de luz adivinhada, Infância humana, humana madrugada. Presépio é qualquer berço Onde a nudez do mundo tem calor E o amor Recomeça. Leva-me, pois, depressa, Através do deserto desta vida, A Belém prometida... Ou és tu a promessa?
Miguel Torga, Diário, Coimbra, Natal de 1959
[NB] "Os santos tornaram-se lenta e dolorosamente homens e mulheres santos, com inúmeros começos, paragens e retrocessos. E repetidas vezes eram atormentados pelo desencorajamento profundo causado pela falta de progresso e erros frequentes.
Crescer à imagem e semelhança de Deus demora muito tempo. É trabalho para uma vida, e Deus compreende-o" (P. Dennis Clark)
Há problemas tão graves, situações tão dolorosas e complexas, que Cristo disse: "Intervir aí só com muita oração!" Que quer isto dizer? Que vamos pedir milagres? Não. Quer dizer que há coisas a que só se chega quando se vêem como Deus as vê e que só se curam com o amor com que Deus ama.

NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS 365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê Vasco P. Magalhães, sj

Uma coisa é achares que estás no caminho certo, outra é achares que o teu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia... Paulo Coelho
“- Conta-me uma história, Pew.
- Que tipo de história, pequena?
- Uma história com um final feliz.
- Não existe tal coisa no mundo inteiro.
- Um final feliz?
- Um final.”

Mas tu viveste ou andaste por aí?

Nicolas Zevallos
«A flor do mundo é a santidade. Ela dá flexibilidade à dureza, torna uno o dividido, dá liberdade ao aprisionado, põe esperança nos corações abatidos, esconde o pão no regaço dos famintos, abraça-se à dor dos que choram. A santidade é anónima e sem alarde. Expressa-se no pequeno, no quotidiano, no usual»


Tolentino de Mendonça

Se eu, com 4 anos, falasse de santos  diria que ser santo é ser super-herói, ter aquela capa protetora que defende de todo o mal, agarrar-se a arranha-céus sem cair e lançar redes gigantes que salvam mundos.
Mas, com 4 anos, não sabia que ser santo está muito distante de tudo isto, vai muito além de ser forte e inquebrável ou de ter a espetacularidade nos gestos.
A santidade inscreve-se em cada um de nós como se nos fosse despindo destes ideais de grandeza e fortaleza. Reveste-nos por dentro de cada vez que somos mais inteiros, quando nos reconhecemos frágeis e, nessa fragilidade, a fortaleza de um Outro; quando somos alimento e a nossa vida se completa porque se entrega, não a salvar em grandes gestos, mas entranhada no quotidiano, com o coração e a vontade centrada no outro; de cada vez que nos despimos do que nos aquece e revestimos o outro com os mesmos gestos que nos vestiram e respondemos com vida à vida que recebemos. É precisamente aí que se vai completando a santidade – quando…
[…]

Estarei ainda longe de Ti,
quem quer que sejas ou eu seja?
Cresce a noite à minha volta,

terei palavras para falar-Te?
E compreenderás Tu este,
não sei qual de nós, que procura
a Tua face entre as sombras?

Quando eu me calar
sabei que estarei diante de uma coisa imensa.
E que esta é a minha voz,
o que no fundo de isto se escuta.

Manuel António Pina,
Nenhum Sítio (1984)
Sim, sim, Mónica. A causa depois do efeito. A minha tese é esta, minha querida – nós trazemos na alma uma bomba e o problema está em alguém fazer lume para a rebentar.
Nós escolhemos ser santos ou heróis ou traidores ou cobardes e assim. O problema está em vir a haver ou não uma oportunidade para isso se manifestar.
(…)
Alguns têm a sorte ou a desgraça de alguém fazer lume para rebentarem o que são, ver-se o que estava por baixo do que estava por cima. Mas outros vão para a cova na ignorância.
(…)
Agora pergunto – se escolheram a maldição e alguém faz lume, quem é culpado de ela rebentar?
Como é que um tipo é culpado de trazer uma bomba na alma se foi outro que a fez explodir? E como é que é culpado o tipo que fez o lume, se a bomba não era dele?
Vergílio Ferreira | Em nome da terra