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A mostrar mensagens de Dezembro, 2011
"No reino dos seres vivos, o ser humano é o único que sabe que há futuro. Se os humanos se preocupam e esperam é porque sabem que o futuro existe, que ele pode ser melhor ou pior e que isso depende, em certa medida, deles próprios. (...)"
Daniel Innerarity (2011, p:09). "O futuro e os seus inimigos". Lisboa: Teorema.

Escrito há 11 anos, é certo...

João César das Neves DN 2000.01.31
Os inícios do século XX ficaram marcados por uma luta terrível contra um dos valores civilizacionais mais importantes, a liberdade. O século XX termina no meio de uma luta terrível contra outro valor civilizacional essencial, a família. Em menos de cem anos, dois dos fundamentos mais preciosos da civilização foram fortemente atacados. A primeira dessas lutas, pela liberdade, teve o seu auge em meados do século e foi já, em grande medida, ganha. A outra, pela família, é a actual, ainda em pleno fragor com resultado incerto. O que está em causa, como antes, é a sobrevivência da sociedade livre e equilibrada. No princípio do século, as ideologias comunista e fascista, na frescura da sua novidade, apregoavam uma alternativa original para o falhado sistema político de então. Nazis e marxistas, desprezando a liberdade, defendiam o poder do Fuhrer, do Duce e a ditadura do proletariado. Inspiradas na pureza da raça ou na superioridade dos operários, as novidades…
O tempo, a crise e a transcendência por ANSELMO BORGES Enigma maior é o do tempo. Não o tempo meteorológico, mas aquele tempo que nos faz envelhecer e desaparecer, morrer os nossos pais e amigos, aqueles a quem mais queremos, que tudo devora e anula. Naquele seu abismo devorador, tudo se despenha, e torna-se como se não tivesse sido. Já Santo Agostinho se abismava perante o enigma: o que é o tempo? Eu sei. Mas, se alguém me perguntar e eu quiser responder, já não sei. Porque o passado já não é, o futuro ainda não é, e o presente nunca se capta. Ah, se soubéssemos o que é o tempo, teríamos talvez descoberto o mistério de ser e do ser. Mas é decisivo perceber que já os gregos apresentaram dois grupos semânticos fundamentais referentes ao conceito do tempo: chrónos, o tempo quantitativo e linear, para significar o fluir inelutável do tempo, sem qualquer possibilidade de intervenção humana, e kairós, incidindo sobre o tempo qualitativo, enquanto crise e enquanto oportunidade, para referir …
Mas para mim, o contacto com os livros era um prazer velho e humano, porque era uma razão humana de vida: o lucro que daí viesse era um acréscimo, não um fim. No entanto, nas minhas relações novas com os livros havia uma desarranjo difícil de acertar. Porque um livro que eu comprasse era um livro resgatado, um objecto de preço. Ou não bem objecto, uma presença de mim, uma transfusão do que sou. Subterrâneas vozes em muralhas de silêncio erguidas à volta do meu quarto, eles eram o modo múltiplo de eu poder abrir-me à vida. Mas, agora, ao balcão, a redimi-lo da degradação: eram os outros. Trocava o que não tem preço por moedas para a caixa.

Vergílio Ferreira, in Estrela Polar
Mas não é fácil dizê-lo. Porque as verdades profundas,(...) só se explicam na linguagem da loucura. Ser eu em ti, que um filho nos fosse a nós, que alguém nos existisse, não apenas na memória, mas na força total de sermos - tudo isto é verdade e não tem sentido nenhum. Tudo isto é verdade, porque a solidão é tão estúpida...Alucina-me o absurdo como um labirinto: como ser eu nos outros? Ser irredutível e múltiplo? Mas só assim a solidão deixaria de existir. Que me importa transmitir aos outros que dois e dois são quatro ou mesmo o que se passa no fundo de mim? O que eu queria era ser eles quando estão pensando que dois e dois são quatro. O que eu queria é que eles sentissem o que eu sinto e não o que eles sentem. O que eu queria é que eles fossem eu e eu eles, porque só assim é que a "comunicação" tem sentido. Decerto, tudo isto é absurdo - estou farto de o saber. Mas o mais absurdo é o mais humano...

Vergílio Ferreira, in Estrela Polar
UM ARCO-ÍRIS É UM ABRAÇO QUE O SOL DÁ À CHUVA PARA FAZER AS NUVENS ESCURAS SORRIR!
"[...] Vejo demasiadas vezes os adultos de referência na vida das crianças exigir o que não fazem e assumirem-se como modelos de perfeição, sucesso e felicidade que não são na realidade. Numa tentativa de servir de modelo, falam mais facilmente sobre o que têm ou conquistaram do que dos obstáculos que necessitaram vencer e das inúmeras vezes que falharam para lá chegar. Colocam-se a si próprios num modelo de intangibilidade que, exemplo após exemplo, só vejo criar distância e incompreensão. Se quando os nossos bebés caíam e esfolavam um joelho nos baixávamos á sua altura para encurtar a distância da dor com um abraço, é importante que não nos esqueçamos de manter a mesma proximidade á medida que crescem e as quedas da vida mudam as dores de lugar. Se por cada insucesso dos nossos filhos formos capazes de lhes falar de forma genuína de algo semelhante que já vivemos, da experiência que tivemos para os tentar ultrapassar ou da forma como lidámos ou não com o nosso redondo falhanço,…
ainda há imagens que valem as palavras

Praça Tahir, Cairo, Egipto. Sabemos - mais ou menos - o que se tem passado por lá nos últimos tempos. Mas no meio dos confrontos e da violência, o ser humano é capaz de gestos que mostram o melhor de que é capaz. À hora em que os nossos Irmãos Muçulmanos eram chamados à Oração, o desconforto reinava, porque colocarem-se todos no chão de joelhos em adoração deixava-os numa situação de insegurança. O que aconteceu? Estavam lá muitos cristãos, que formaram um cordão humano e os rodearam para que pudessem fazer a sua Oração tranquilos. E mais palavras não são precisas.
http://derrotarmontanhas.blogspot.com/2011/12/ainda-ha-imagens-que-valem-as-palavras.html
- Bastava quereres - dizia-me minha mãe.
Sim, boa mulher. Ma há um limite do querer, que é só o limite do que somos.

Vergílio Ferreira, in Estrela Polar

Se não puderes ser um pinheiro

Se não puderes ser um pinheiro no topo da colina
Sê um arbusto no vale - mas o melhor arbusto na encosta do monte.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
e dá alegria a um caminho.
Se não puderes ser almíscar, sê então apenas uma tília,
Mas a tília mais viva do lago.
Não podemos ser todos capitães, temos de ser tripulação.
Há alguma coisa para todos nós aqui.
Há grandes obras e outras menores a realizar,
E é a próxima tarefa que devemos empreender.
Se não puderes ser uma estrada, sê apenas uma senda.
Se não puderes ser o sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso.
Sê o melhor de o que quer que sejas!

(Douglas Maloch)

NATAL À BEIRA-RIO

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.
Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...
Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.
Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?


David Mourão-Ferreira

O Andaime

Quando assistires
à retirada dos andaimes
contempla - é claro -
o edifício que surge.
Mas pede pelos andaimes,
pois é duro
servir de suporte
à construção,
ser necessário à obra,
e, na hora da festa,
ser retirado como entulho!
SÁBADO, 24 DE DEZEMBRO DE 2011
Conto de Natal recebido do geólogo e divulgador de ciência Galopim de Carvalho:

Foi em Évora, no Natal de 1938, o ano em que deveria ter entrado na escola, mas a minha mãe não deixou. A Escola de São Mamede tinha fama pelas reguadas que ali se davam às crianças em nome do ensino e da boa educação. O meu irmão Mário, dois anos mais velho do que eu, e as mãos dele, de frieiras rebentadas, eram testemunhos dessa incompreensível mas bem real pedagogia. No entender de mãe, eu era muito pequenino para enfrentar tamanha violência, nesse tempo, perfeitamente aceite pela sociedade, em geral.

- Ficas aqui com a mãezinha. – Afirmava. - Aprendes comigo e, quando fores mais crescido, já podes ir para a escola.

Então, em casa, a sós com a minha mãe e enquanto ela costurava, eu ia soletrando a Cartilha Maternal do João de Deus e recitando a tabuada, primeiro a do dois, depois a do três, ao mesmo tempo que me ocupava dos trabalhos de serventia às suas tarefas de tesoura,…

Se Belém fosse em Ocua

Em Dezembro, em Ocua, era Natal e entardecia sem que por perto qualquer sinal nos pudesse dar testemunho da data. Tempo de fome, de seca e calor asfixiante, em que a chuva tardava como uma noiva cruel, abandonando as sementeiras e o povo no altar, no desespero de uma boda por mil vezes não consumada, de uma promessa de frescura mil vezes adiada... Era Natal e o calor era irrespirável. Era Natal e ao entardecer não havia luzes nas ruas, ninguém a correr a comprar os presentes de última hora, nenhuma árvore ornamentada. Era Natal e, inquietantemente, faltava o cenário, faltava o tom que o pano de fundo imprime no estado de espírito... mas aparentemente só nós o sentíamos. Tudo o resto, alheio à inquietude que nos vivia por dentro, decorria na rotineira placidez de África.

Se Jesus menino tivesse nascido em Dezembro em Moçambique, uma capulana teria bastado para o aquecer. E se Belém fosse em Ocua, em vez da vaquinha e do burrinho no estábulo, talvez uma qualquer ave do mato tivesse bati…

O insuportável Dia de Todos os Santos

Caro sobrinho: colocas-me diante de uma questão essencial do combate à fé cristã. De facto, há que evitar por todos os meios possíveis que os humanos tomem para si o exemplo de outros que passaram, antes deles, por esta terra. Não há nada mais abominável que um santo que ilumina essa gentalha, ajudando-a a atravessar as dificuldades da vida. Por isso gostava de partilhar contigo quatro estratégias para destruir a imagem de todos os santos. Se as aplicares bem, terás resultados imediatos e duradouros. Aliás, basta aproveitar os exageros desses miseráveis humanos para os afastar do nosso grande Inimigo.
1ª Estratégia: OS SANTOS MILAGREIROS Esta estratégia talvez seja das mais fáceis de aplicar uma vez que, mesmo sem a nossa ajuda, já toma proporções escabrosamente saborosas. Há humanos cuja formação cristã é tão rudimentar que tomam os santos como uma espécie de deuses aos quais devem adorar. Levam consigo dinheiro, fotografias, velas, papelinhos, depositando neles a secreta esperança d…

Um coração praia

"Vês a diferença?" - perguntou-me ele, apontando a rebentação nas rochas. "Um coração inquieto protege-se do mar com pedras grandes e pontiagudas; e o resultado são estas explosões de espuma e água que causam estrondo". Fez uma pausa à espera da próxima rebentação e continuou: "um coração em paz não é assim. Um coração em paz é como uma praia. Sabe que o mar é muito maior em extensão, profundidade e comprimento; acolhe as ondas de braços abertos; aceita tudo o que trazem e tudo o que levam. Um coração saudável é aquele que se deixa moldar pela vida".


http://joaodelicadosj.blogspot.com/2011/12/coracao-saudavel-paz-inquieto-mar.html
História que Timothy Radcliffe conta em “Ir à Igreja porquê?” (pág. 138) para percebermos que talvez as nossas orações sejam ouvidas. Nós é que, muitas vezes, nem sequer damos por isso.

Num bar, no Alasca, um homem estava a ficar bêbedo. Afirma que já cortou com Deus. O seu avião despenhara-se. Enterrado na neve, viu-se prestes a morrer e rezou a Deus para oque o salvasse, mas Ele não o fez. Por isso, sente-se totalmente decepcionado. O empregado do bar disse-lhe, então: «O quê?! Mas você está aqui, salvo!» Ele acrescentou: «Ah, isso deve-se a um esquimó que apareceu por lá».

Sobre os outros

por Hugo Gonçalves

Publicado em 27 de Maio de 2011

Ouvi alguém dizer que tal músico era bom, até um dos melhores, mas... Há sempre um "mas", há sempre algo de mal a dizer sobre o carácter ou o talento de quem brilha e faz bem o seu ofício, há sempre um pai rico ou uma subida à custa de sexo oral. Tudo serve, até porque haverá sempre qualquer coisa para embaciar o lustre. É um hábito muito humano e muito português.

Tendo em conta a falta generalizada de brio e de cuidado na execução das coisas importantes e das coisas prosaicas, tornou-se costume que tudo esteja atrasado, mal amanhado e inacabado. Essa é a norma, o marasmo que se deseja. Logo, amaldiçoado é aquele que nos obriga a trabalhar mais e nos faz ter consciência de como empurramos tudo com a barriga e de como fazemos demasiadas coisas com os pés. Qualquer psicólogo de pacotilha diria que quem retira mérito aos outros, atribuindo-lhe falhas, está a esconder a sua falta de mérito. Todos temos insuficiências, apontá- -las …
Porque vocês, remidos, não parecem remidos. São tão cheios de temor, tão dominados pela culpa, tão ansiosos, tão confusos e tão sem direção quanto eu. Mas eu posso ser assim. Eu não creio. Não tenho nada sobre o que lançar a minha esperança. Mas vocês afirmam ter um Salvador. Por que não parecem salvos?

Frederich Nietzsche
"No fundo, bem lá no fundo do corpo, mora a alma.
Ainda não houve quem a visse,
mas todos sabem que existe.
E não só sabem que existe,
como também sabem o que lá tem dentro.
Dentro da alma, lá bem no centro,
pousado numa pata, está um pássaro.
E o nome desse pássaro é o Pássaro da Alma.
E ele sente tudo o que nós sentimos :

Quando alguém nos magoa,
o pássaro da alma agita-se para lá e para cá
em todos os sentidos dentro do nosso corpo, sofre muito.
Quando alguém nos ama,
o pássaro da alma dá pulinhos de contente,
para trás e para a frente, vai e vem.
Quando alguém nos chama,
o pássaro da alma põe-se logo à escuta da voz
a fim de reconhecer que tipo de apelo é.
Quando alguém se zanga connosco,
o pássaro da alma recolhe-se dentro de si ,tristonho e silencioso.
E quando alguém nos abraça, o pássaro da alma
que mora no fundo, bem lá no fundo do nosso corpo,
começa a crescer, crescer,
até encher quase todo o espaço dentro de nós,
tão bom para ele é o abraço.

Dentro do corpo, no fundo, bem lá no fundo, mora a…
"Lá fora, sou um homem novo, sem país, sem destino, sem passado nem futuro: apenas o tempo que passo. E assim, porque sou verdadeiramente livre e desconhecido, acontece-me frequentemente tornar-me íntimo amigo de pessoas que conheci há meia dúzia de horas. Tudo é genuíno e generoso nesses encontros e, quanto maiores são as diferenças, mais evidente se torna o que é essencial nas relações entre as pessoas. Não esperamos nada um dos outros, apenas o privilégio de viajar juntos.
Disse-me uma vez, numa dessas constrangentes despedidas, um amigo sarahui: "Os que não morrem, encontram-se". Mas aprendi que não era verdade, infelizmente. Quando muito, poderia talvez acreditar que os que se encontraram nunca mais morrem na nossa memória. Mesmo que apareçam tão-somente assim, esporadicamente, do fundo de uma gaveta, onde vive, arquivada, a luz dos dias felizes".


Miguel Sousa Tavares, Sul

A Flor

Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém. Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutra; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase não resistiu.
Outras são tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor. Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração, do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas.
Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!


Almada Negreiros, Obras Completas, INCM, I- Poesia

Lugares de pecado

Dois jesuítas à conversa: "Sabes? Um colega disse-me que aquilo não era lugar para religiosos" - desabafou o primeiro - "sim, porque era um lugar mundano, cheio de tentações e por aí fora; um lugar desprovido de interesse para quem quer crescer na santidade". "Pois" - atalhou o segundo - "o problema é que separamos os dois mundos: o bem e o mal; a santidade e o pecado. Na realidade não precisamos de ir mais longe: se olharmos para nós, já vivemos o pecado por dentro. Se conseguirmos ver isso, talvez nos deixemos de escandalizar com o mal que vemos fora". Como se não bastasse, rematou: "e, de qualquer modo, é uma questão de afinação do olhar: nos lugares de pecado, prefiro procurar Deus".


http://joaodelicadosj.blogspot.com/2011/06/pecado-santidade-inferno-bem-mal.html

"Que bom voltar a sentir-me comunista."

Perguntei por ti e disseram-me que não aparecias por ali há meses.

Fiquei no mínimo intrigado, até por aquela esplanada ser um dos teus "escritórios" favoritos.
Telefonei-te e disse que estava por ali, à tua espera.
Bonacheirão como de costume, disseste que já estavas a caminho. Pelo meio ainda explicaste que a renda do escritório era demasiado alta e resolveste alugar um mais pequenote e com uma preço mais acessível.
Apareceste dez minutos depois, com o teu estilo inconfundível de "parte pratos". Começaste logo por pedir um cigarro a um conhecido, confessando que já não compravas tabaco há mais de um mês, "vendendo" à malta a quem cravavas um "paivante" a treta de que andavas a tentar deixar de fumar.
Sempre a sorrir, disseste que estavas acampado mesmo em cima da crise, uma "puta" alemã ou francesa, que te obrigou a mudar de vida. Um pouco mais a sério lá explicaste que o teu ordenado curto de actor fora reduzido para metade, assim como o…

O valor das pequenas coisas

Em cada indelicadeza, assassino um pouco aqueles que me amam.
Em cada desatenção, não sou nem educado, nem cristão.
Em cada olhar de desprezo, alguém termina magoado.
Em cada gesto de impaciência, dou uma bofetada invisível nos que convivem comigo.
Em cada perdão que eu negue, vai um pedaço do meu egoísmo.
Em cada ressentimento, revelo meu amor-próprio ferido.
Em cada palavra áspera que digo, perdi alguns pontos no céu.
Em cada omissão que pratico, rasgo uma folha do evangelho.
Em cada esmola que eu nego, um pobre se afasta mais triste.
Em cada oração que não faço, eu peco.
Em cada juízo maldoso, meu lado mesquinho se aflora.
Em cada intriga que faço, eu peco contra o silêncio.
Em cada lágrima que enxugo, eu torno alguém mais feliz.
Em cada ato de fé, eu canto um hino à vida.
Em cada sorriso que espalho, eu planto alguma esperança.
Em cada espinho, que espeto, magôo algum coração.
Em cada espinho que arranco, alguém beijará minha mão.
Em cada rosa que ofereço, os anjos dizem: Amén! Roque…