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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2013
O homem que tem muitas respostas é muitas vezes encontrado nos teatros da informação a oferecer, amavelmente, as suas muito profundas descobertas. Enquanto que o homem que só tem perguntas, para se confortar a si mesmo, faz música. Mary Oliver
segreda-me a canção dos dias sem que nos ouça a noite terrível e deixa que dance em mim a voz, a voz azul que é o lugar onde o mundo não pára de nascer. segreda-me o teu nome, agora, e farei de nós o amor, a constelação, o sonho de uma estação sem morte. Vasco Gato
Árvores são máquinas de caírem folhas como nós somos de doer e fim e noites E quando choramos não fazemos mais do que a nossa mui íntima obrigação Se amamos tão úteis quanto uma flor pétala a pétala até chegar o Outono é porque não assinámos o tempo E clandestinamente vamos caindo amparando as mortes com beijos à espera do fim para começar Nuno Camarneiro
Não sei por onde andas agora lembro-te cada vez mais longe em dias assim, de chuva, de noite fechado nisto que não mudou Vejo-te às vezes por essas ruas se por acaso chega o Outono ou dores antigas e maiores vejo-te às vezes por essas ruas E digo adeus, sincero, míope as sílabas todas do teu nome um único poema que sei de cor e grito cada vez mais longe Nuno Camarneiro

Fazer do amor a razão de cada escolha

No grupo de amigos, todos o consideram o mais sensato. Simplesmente porque cultiva o silêncio e a palavra com a mesma sabedoria – podendo dizer-se que as suas pausas têm a duração correcta e as intervenções têm a entoação precisa. Não se ausenta nos momentos de intenso debate, nem intervém intempestivamente. Ouve, olha, ergue um gesto sereno que prescinde da palavra ou anuncia opinião. E, se fala, começa quase sempre com a mesma frase: «Se me dão licença, a esse propósito...» Melhor que a maioria de nós, percebeu, de certeza, a Tua recomendação, Senhor: «Que a vossa linguagem seja sim, sim; não, não». Em tempo de palavras ociosas ou de silêncios cobardes, venho hoje pedir-Te a graça de fazer do amor a razão de cada escolha: calar por amor; falar por amor... P. João Aguiar http://rr.sapo.pt/rubricas_detalhe.aspx?fid=70&did=125769

Silêncio nas palavras

"... Sou apenas um caminhante Que perdeu o medo de se perder Estou certo de que sou imperfeito Podem chamar-me louco Podem gozar das minhas ideias Não importa! O que importa é que sou um caminhante Que vende sonhos aos transeuntes Não tenho bússola nem agenda Não tenho nada, mas tenho tudo Sou apenas um caminhante À procura de si mesmo." Augusto Cury in: "Vendedor de Sonhos"

Sem pressa de chegar ao pecado

amy friend Tenho dificuldade em ver logo pecado no mal que alguém tenha feito. Não que o pecado não exista e não seja cometido. Nem sequer é entrar numa de “desculpa fácil”. Até chegar ao pecado há toda uma história marcada pela liberdade, infinitamente respeitada por Deus, e por subtilezas que cegaram, impedindo de ver o melhor caminho, tomando outro. Recordando os olhares de Jesus fico a pensar, ao jeito do relato da criação no Génesis, que a primeira vista divina é de bondade. A ajuda no arrependimento ou libertação começa pelo passo prévio: que a graça divina é mais forte que o pecado. Ou por outras palavras: “antes de qualquer acto teu, amo-te (ponto)”. http://oinsecto.blogspot.pt/2013/10/sem-pressa-de-chegar-ao-pecado.html
"O encontro com o Senhor é muito mais uma passividade que um activismo. Não é o surdo que não ouve mas sim aquele que não suporta a hipótese de ouvir aquilo que no fundo procura e tanto deseja." Não há direito. Há Graça. Há o dom que é gratuito e que daqui, agradecidos, nos torna quem somos para Ser. É daqui que brota ou não o nosso verdadeiro compromisso in-dependente, a relação de liberdade com tudo o mais que nos rodeia. Nada nos pertence, nada é nosso mas tudo ou tanto nos é oferecido. A quem pertencemos? Ao que queremos pertencer? Na resposta está em jogo a nossa Alegria completa em saber afinal de quem somos originariamente dependentes. É pormo-nos no nosso lugar. Temor a Deus é fazer a experiência de saber que Ele existe, e não sou eu. Desta resposta irrompe a nossa experiência de felicidade, querendo-a à semelhança da felicidade de Cristo, Jesus. A opção primeira a renovar a cada instante, sendo preciso, é esta: De quem me quero saber parte? Do quê? De
Estou perante a noite mais profunda: a delicada noite das raízes: vejo rostos, vejo os sinais e os suores das vossas vidas. Atravesso árvores submersas, ruas obscuras poças de água verde, e vou convosco ter minhas faces lívidas, mãe, amigos, amores. A terra que penetro é este chão de terra com as raízes feridas, com os ferozes pulsos, a vertente que desço é uma subida às vossas vidas. António Ramos Rosa
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo. Agora amo a Natureza Como um monge calmo à Virgem Maria, Religiosamente, a meu modo, como dantes, Mas de outra maneira mais comovida e próxima ... Vejo melhor os rios quando vou contigo Pelos campos até à beira dos rios; Sentado a teu lado reparando nas nuvens Reparo nelas melhor - Tu não me tiraste a Natureza ... Tu mudaste a Natureza ... Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim, Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma, Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais, Por tu me escolheres para te ter e te amar, Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente Sobre todas as cousas. Não me arrependo do que fui outrora Porque ainda o sou. alberto caeiro

Silêncio nas palavras

Conheço tudo à força de não ser

Não te chamo para te conhecer Eu quero abrir os braços e sentir-te Como a vela de um barco sente o vento Não te chamo para te conhecer Conheço tudo à força de não ser Peço-te que venhas e me dês Um pouco de ti mesmo onde eu habite Sophia de Mello Breyner Andresen - Obra Poética No Tempo Dividido Caminho

Não compreendemos nada nem ninguém, excepto pela companhia.

Esquecemo-nos desta verdade básica: a compreensão passa, necessariamente, por um avizinhamento, por uma descoberta mútua que só a reciprocidade vai tecendo e aclarando. Não sei se chegamos realmente a compreender. Temos experiências, temos acesso à catadupa dos factos, possuímos milhentas explicações. Recorremos a fórmulas que encaixam e desencaixam. Baseamo-nos em pareceres. Vivemos com ansiedades que o tempo modela, fazendo-nos pensar que as modera. Tudo isso. Mas não sei se chegamos a compreender verdadeiramente. Talvez porque compreender seja outra coisa, peça de nós outro tempo, distinto daquele que estamos habituados a usar, nos exponha na nossa pobreza, encaminhe a nossa inteligência e o nosso coração por territórios porventura mais próximos do silêncio do que da palavra. Penso muitas vezes naquela pintura de Goya que retrata um cão. Não sabemos exactamente o que é que o cão está ali a fazer: apenas vemos o seu focinho que sobressai, solitário, projectado num céu vazio. Dir

Pára tudo! Isto vem ou não vem para as minhas mãos?

“Há uma beleza própria do que não tem propósito e uma alegria que vem com ela. O toque simples de uma mão na face, um telefonema sem assunto, um passeio sem destino, um poema secreto, um assobio, uma pedra redonda guardada no bolso. Coisas que não servem senão para sorrir e sentir que a vida é ainda cheia de mistérios.” Debaixo de algum céu, Nuno Camarneiro
Viver no balanço instável de não saber qual é o próximo encontro, da agenda desafiada pelo inesperado de cada dia. Viver de passos trocados pelo que nos assombra e deixa perplexos. E, em tudo, buscar o silêncio que nos protege de nós, que nos protege de tudo o que nos divide, ainda que, às vezes, desabemos em gritos que não se sabem calar... e, ao fim, despedirmo-nos com a alegria e o desejo de ser inteiro. Zé Maria Brito, sj

(Mas ninguém me quer oferecer aqui o jeitoso do livro ;-)??? )

Uma história são pessoas num lugar por algum tempo. As margens da página, como o silêncio, estabelecem limites certos para que um conto não se confunda com o que não lhe pertence. Pode contar-se uma história enchendo uma caixa vazia ou desenhando paredes à volta de gente. - NUNO CAMARNEIRO, Debaixo de algum céu, 2013 (princípio)
Nuestras palabras nos impiden hablar. Parecía imposible. Nuestras propias palabras. "En cierto sentido todas las vidas son una misma cosa, ya que cada vida es una cuerda. Pero unas cuerdas sirven para saltar a la comba y otras para ahorcarse con ellas". Y aquí entre dos calmas lejos del cementerio abro un libro de silencios por la página de tu espalda y encuentro la palabra alegría y la palabra alegría lleva acento y yo se lo quito y te lo pongo en la nuca. Pedro Casariego As palavras impedem-nos a fala. Parece impossível, nossas próprias palavras. “Em certo sentido todas as vidas são a mesma coisa, pois cada vida é uma corda. Mas algumas cordas servem para saltar e outras para enforcar". E aqui entre duas calmas longe do cemitério abro um livro de silêncios na página das tuas costas e topo a palavra alegria e tal palavra tem acento e eu tiro-lho e ponho-to em cima da nuca. (Trad. A.M.) http://ruadaspretas.blogspot.pt/2013/09/pedro-casariego-nossas-palavras.html

Um dos poucos conselhos que um pai pode (deve) dar

Lee a los viejos poetas, hijo mío y no te arrepentirás Entre las telarañas y las maderas podridas de barcos varados en el Purgatorio allí están ellos ¡cantando! ¡ridículos y heroicos! Los viejos poetas Palpitantes en sus ofrendas Nómades abiertos en canal y ofrecidos a la Nada (pero ellos no viven en la Nada sino en los Sueños) Lee a los viejos poetas y cuida sus libros Es uno de los pocos consejos que te puede dar tu padre Roberto Bolaño

Belo

Hay vidas que duran un instante: su nacimiento.  Hay vidas que duran dos instantes:  su nacimiento y su muerte Hay vidas que duran tres instantes:  su nacimiento, su muerte y una flor.  Roberto Juarroz

(Tenho de arranjar este livro)

As palavras são difíceis, mas são o que temos. O sofrimento é único para cada homem e para cada mulher, são infinitas as dores e poucas as palavras que lhes dão nome: desgosto, arrependimento, comiseração, tristeza, pesar, mágoa, pena, lástima, aflição, angústia, nojo, desolação, comoção, choque, amargor. Faltam termos e sobram as horas más. Não falta descrever o que se pensa, porque não importa, o sofrimento corre abaixo da cabeça, no corpo que apanha, às voltas num mesmo lugar que é o centro de tudo, como se chama o centro exacto de nós? - NUNO CAMARNEIRO, Debaixo de algum céu, 2013 (Narrador).

A thing of beauty is a joy forever

As coisas que não conseguem ser olvidadas continuam acontecendo. Sentimo-las como da primeira vez, sentimo-las fora do tempo, nesse mundo de sempre onde as datas não datam. Só no mundo do nunca existem lápides... Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido casado, mudado, sumido, esquecido, enganado, ou que quer que te haja feito, em suma? Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta, ela jamais a poderá passar de ti para ninguém. Há bens inalienáveis, há certos momentos que, ao contrário do que pensas, fazem parte de tua vida presente e não do teu passado. E abrem-se no teu sorriso mesmo quando, deslembrado deles, estiveres sorrindo a outras coisas. Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata criatura... A thing of beauty is a joy for ever - disse, há cento e muitos anos, um poeta inglês que não conseguiu morrer. Mario Quintana
Em qualquer parte um homem discretamente morre Ergueu uma flor Levantou uma cidade Enquanto o sol perdura ou uma nuvem passa surge uma nova imagem Em qualquer parte um homem abre o seu punho e ri António Ramos Rosa (de Viagem através de uma Nebulosa, 1960)
Como um espelho recebe um raio de luz e o reflecte, permanecendo porém aquilo que é, assim Deus habita com a sua natureza, o seu ser e a sua divindade na nossa alma, sem se confundir com a nossa alma. Eckhart
Quando Deus habita no meio de nós, caem os muros para que todos possam ter lugar nas nossas cidades: «Corre, fala àquele jovem e diz-lhe: 'Jerusalém ficará sem muros, por causa da multidão de homens e de animais que haverá no meio dela. Mas eu serei para ela - oráculo do SENHOR - como um muro de fogo à sua volta e serei no meio dela a sua glória.'» (Zacarias 2, 8-9) no Toques de Deus (FB)

Conta-me a tua vida fantástica

«Conta-me a história da tua vida fantástica, Ackley - disse eu. - E se apagasses a luz? Tenho de me levantar cedo.» Este é um diálogo do emblemático romance de Salinger, “Uma agulha no palheiro”. Calha-me pensar muitas vezes naquela pergunta acerca da nossa vida fantástica, até por que estamos normalmente muito pouco disponíveis para falar disso. Preferimos viver de luz apagada. Tornou-se uma espécie de desporto nacional a lamúria, a propósito de tudo e de nada. Na hora de relatar a vida, o que vem à tona são mais as dificuldades, os medos avulsos, para não dizer os ressentimentos. Mais do que a gratidão pela vida vamos mantendo um irremediável conflito de interesses que nos faz achar que nunca é suficiente o que temos ou o que nos acontece. E neste desencontro interior perdemos a capacidade de contemplar e acolher o milagre que constantemente nos rodeia. Talvez precisemos de uma cura de simplicidade, que nos reoriente para o essencial: a hospitalidade e a comunicação do dom. «C

Lições da India

Recebo por e-mail um anónimo texto circulante. Lê-se aí que, na Índia, ensinam «quatro leis da espiritualidade»: «A pessoa que vem é a pessoa certa.» «Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido.» «Toda a vez que iniciares algo é o momento certo.» «Quando algo termina, termina.» E há um voto: «Sejamos fortes nesta caminhada rumo ao progresso espiritual.» Pergunto: ante pessoas oportuníssimas, rigorosas inevitabilidades, começos perfeitos e desenlaces categóricos, como é que o espírito afinal progride? http://divina-a-comedia.blogspot.pt/2013/10/licoes-da-india.html