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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2012

Hoje fui mais além...

O poder só tem autoridade quando é serviço.

Pe. Vasco Pinto de Magalhães


Submisso = coordenado em Missão ("Eu vou", substituindo o "Vai tu")

TPC de Terça

A minha vida é como um(a) ... (ideal - depois de bem pensado, organizado, luto por ele). Pode ser ainda como um grão de mostarda, por baixo da terra, pouco visível, mas crescerá. Como a levedura que está no bolo, no pão, mas ninguém vê (ainda que, na ausência, todos sintam a falta)...
Eu gostava que a minha vida fosse..., que a minha família fosse..., que os meus amigos fossem... (estagno e vivo segundo um idealismo).
Encontro Nacional, ComTigo 2012
Cheng Fang (500px)
[EU, QUE TINHA IDO À BARRAGEM DO BELICHE]


[...] Eu, que tinha ido à barragem do Beliche nadar e ver se me afogava, nesse dia tive um desastre propositado numa curva contra um eucalipto, e o que é mais curioso é que não entrei no coma, como eu desejava, fui projectado e saí dessa minha vontade de morrer completamente ileso. [...]

Undine em Cacela, Centro de Cultura e Desporto dos Trabalhadores da Administração Tributária do Distrito de Lisboa, 2005
e não queres saber muito mais do que isto. estás na vida como na montra alguns relógios,
parado, e pensas numa sepultura no mar, tudo
menos esta terra, tudo menos uma corda, tudo menos
viver a pulso e ter de sacudir a chuva contra o casaco.

os dias sem prognóstico, vivendo apenas para
esperar a madrugada.
Marta Chaves

Contempla!

Foto por photoflake2 (www.500px.com)
Da primeira vez que fui à serra, a meio da viagem interminável e como resposta à minha insistência em saber: "se ainda faltava muito", o meu companheiro disse: "Nem somos gente, a bem dizer Sr. Doutor. Estes caminhos foram feitos só para bestas como nós. Uma pessoa de estimação, como um  doutor, nunca devia atrever-se a subir aqui! Deviam deixar morrer este povo, deixar que a semente acabasse" Não me queixei mais o resto da jornada e respondi com melindre: "Sou médico. Um médico é um médico; não escolhe doentes nem caminhos."

RETALHOS DA VIDA DE UM MÉDICO,
Fernando Namora

(H)oração 26.10.2012 "O meu coração não temerá."

EVANGELHO - Mc 10,46-52

Naquele tempo, quando Jesus ia a sair de Jericó com os discípulos e uma grande multidão, estava um cego, chamado Bartimeu, filho de Timeu, a pedir esmola à beira do caminho. Ao ouvir dizer que era Jesus de Nazaré que passava, começou a gritar: «Jesus, Filho de David, tem piedade de mim». Muitos repreendiam-no para que se calasse. Mas ele gritava cada vez mais: «Filho de David, tem piedade de mim». Jesus parou e disse: «Chamai-O». Chamaram então o cego e disseram-lhe: «Coragem! Levanta-te, que Ele está a chamar-te». O cego atirou fora a capa, deu um salto e foi ter com Jesus. Jesus perguntou-lhe: «Que queres que Eu te faça?» O cego respondeu-Lhe: «Mestre, que eu veja». Jesus disse-lhe: «Vai: a tua fé te salvou». Logo ele recuperou a vista e seguiu Jesus pelo caminho.

Dá-me Senhor a tua luz, para ser capaz de perceber uma minha cegueira, um fechamento que me tem colocado parado ao ao lado do caminho da vida...

Alimenta-me Senhor o desejo de "mais", que sej…

De tanto dizermos que não "temos" nada

Debruça-te para o interior do meu vazio. Nenhum rosto, nenhum pensamento, nenhum gesto inútil. Nenhum desejo – porque o desejo precisa de um rosto. E no lugar daquele que partiu acende-se a noite. al berto
"Fomos habituados a pensar a vida espiritual como uma representação, um enredo que se passa unicamente num espaço nobre e ordenado, um intervalo sobreposto à vida. A existência quotidiana, ínfima, banal, rotineira achamos que não é para Deus, nem a consideramos capaz de ligar-nos a isso que é o sagrado. 
Contudo, diz-nos Santa Teresa: “Deus move-se entre os tachos”. 
(José Tolentino Mendonça)
Confiar! Não se vive sem confiar! Sem confiar que se é minimamente capaz, sem confiar que pelo menos, alguns  avisos e notícias não são mentira, sem confiar que o céu não nos vais cair em cima... A confiança deve ser  lúcida, mas é sempre um arriscar que até dá sabor à vida. Há quem diga que não confia em nada. É mentira!

A moeda da vida tem, de um lado, a humildade e, do outro, a confiança. Quando sou humilde e reconheço a minha verdade, estou a confiar em Deus. Quando confio em Deus, sabendo que não posso nem devo controlar tudo, sou humilde. Vou pôr esta moeda a circular. Com ela posso adquirir os bens que realmente valem a pena.

(Encontrado no Creu)
Numa conversa entre um progressista e um tradicionalista, o progressista dirá: "e se fizéssemos isto como nunca se fez antes?" – mas, sem ligação à história, os sonhos tornam-se meras utopias. E, de facto, de que nos servem os sonhos se alimentarmos apenas osFace que nos afastam da realidade? Por sua vez, o tradicionalista dirá: "se sempre foi assim, assim devemos continuar" - mas sem sonho, a realidade cristaliza, seca, paralisa. Assim, enquanto o tradicionalismo nos agarra à terra, o progressismo projeta-nos para o céu. A árvore, de ramos altos e raízes profundas, ajuda a perceber que a síntese é possível. E desejável.

João Delicado, sj
Ver para além do olhar, fb
"Sair de si" é a pérola preciosa das nossas vidas. E aquele que nunca saiu da concha ainda nem sequer viveu. Quanto mais dou, mais recebo. Quanto mais procuro entender, mais me compreendo a mim próprio. Quanto mais ajudo, mais sou ajudado. E quanto mais me perder em benefício dos outros, mais me encontro.
NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS 365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê Vasco P. Magalhães, sj

A omni(im)potência de Deus

"Deus é uma palavra perigosa. Quando dizemos "deus" que imaginamos? Qualquer coisa de aumentado, mas a medida-padrão é nossa. Só fazemos caricaturas.
"Omnipotência" é uma palavra mais que perigosa, é enganadora. Há tantas coisas que Deus não pode. Não pode ir contra a sua criação, não pode pôr as laranjeiras a dar azeitonas; não pode abusar da liberdade dos seus filhos, nem evitar todas as desgraças; não pode fazer a quadratura do círculo e não pode resolver todos os nossos problemas, sobretudo à nossa maneira; não pode deixar de amar todos e cada um, e isso - a nosso ver - deixa-o muitas vezes de mãos atadas... Deus-Omnimpotente é um sonho que temos de um super-ministro das obras públicas, que põe toda a vida em auto-estradas sem risco, ou de um super-112 a que basta ligar para resolver tanta dor, tanta injustiça. O 112 divino está impedido e as estradas são que se vê...
Mas há amigos que não nos arranjam emprego, nem nos curam as doenças, mas choram connosco…

P'la coragem de partir

17 de Outubro
Dá-me, Senhor, para o dia de hoje, para todos os meus dias,
a coragem de partir.
Dá-me a graça de ouvir a Tua voz 
que  me chama
e me diz «Vem»
Às vezes, parece até que Te não oiço ou não percebo.

Que eu Te siga deixando as minhas redes,
essas redes que prendem.
Podem chamar-se Rotina 
Sossego ou Indiferença.

Ensina-me a partir
sem perguntar porquê.

E ainda que nada entenda
permite que Te siga
Sem saco
E sem moedas.

Que o meu cajado de apoio 
sejam gestos de encontro
ou tão só um sorriso.
Uma palavra.
Um silêncio.

Que sejas Luz que me rasgue a noite.
Companhia.
A Tua companhia.


Maria Teresa Frazão
http://rr.sapo.pt/rubricas_detalhe.aspx?fid=70&did=81375
A lista de desgraças do nosso mundo parece não acabar e até aumentar: guerras fome, escândalos, abusos, corrupção.... Parece que vai tudo de mal a pior. Será? O pessimismo parece mais inteligente, mas a esperança é mais sábia. Não será esta desgraça um grito de que tudo tem que mudar, de que queremos ir por outro caminho? E se queremos é porque ele existe.


NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS 365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê Vasco P. Magalhães, sj
Um espelho que pinta um outro que sou eu.
Alegrar-se com o bem dos outros é um princípio de felicidade em que nos temos de educar. Incomoda um mundo de "bota-abaixo", que não sabe ver nem alegrar-se com o bem alheio. É já grande coisa entristecer-se e doer-se com o sofrimento do amigo, e quase todos somos capazes disso. Outra coisa é alegrar-se com o bem do próximo - isso é grandeza de alma!

NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS
365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê
Vasco P. Magalhães, sj

Ciências da saúde financeira

OPINIÃO

A economia da saúde está cada vez mais dependente da saúde da economia. Daí a necessidade de uma séria ponderação do custo-benefício e da equidade da despesa. Nada de incomum, mas com a enorme diferença de aqui estar em jogo o mais absoluto valor: o da vida POR ANTÓNIO BAGÃO FÉLIX*
* Economista e Professor Catedrático. Foi ministro da Segurança Social e do Trabalho do XV Governo e ministro das Finanças do XVI Governo
A economia da saúde está cada vez mais dependente da saúde da economia. Daí a necessidade de uma séria ponderação do custo-benefício e da equidade da despesa. Nada de incomum, mas com a enorme diferença de aqui estar em jogo o mais absoluto valor: o da vida.

Vem isto a propósito do parecer do Conselho de Ética para as Ciências da Vida sobre a utilização de medicamentos oncológicos, contra a sida e artrite reumatóide, responsáveis por parte significativa do gasto com fármacos.

A ideia do parecer – e das declarações do seu presidente – é a de que deve haver “racionamento…

De tanto mal dizer

Quantas vezes não teriam aquelas pedras suportado o mesmo andar pesado, como quem em cada passada contesta o mundo. Todos os dias percorria aquele caminho. A quem escapasse a dureza das passadas, não passaria ao lado o rosto marcado por rugas cultivadas antes do tempo. Um rosto que todos os dias servia de moldura a uma expressão que em bom português se definiria como “mal encarada”. Rua acima, rua abaixo, havia sempre motivo para mal dizer, a roupa de um, a atitude de outro, o tempo, a crise…O mundo parecia conspirar atenciosamente para que nada, nunca, fosse digno de um sorriso.

O modo como olhamos o mundo que nos rodeia, a nossa circunstância, o estado de espírito e claro, os traços de personalidade, influenciam aquilo de que falamos, o que dizemos, como dizemos. Mas nós mesmos, o nosso olhar, o nosso estado de espírito e claro, os nossos traços de personalidade, também influenciamos o mundo à nossa volta. Aqueles com quem nos cruzamos, os projectos em que investimos, os círculos em …
Há duas maneiras de procurar Deus: a curiosidade e a fé. A curiosidade leva à entrevista, à pergunta e talvez ao turismo em volta de Deus. A fé leva a uma procura que resultará na adesão e no seguimento. Não é fácil distinguir uma da outra. Mas existe um critério: o efeito. A curiosidade enche-se de si mesma, a fé leva à conversão.

Nuno Branco, sj
"A graça não vem juntar-se à nossa força ou à nossa virtude, mas somente à nossa fraqueza. Resulta, então, mais do que suficiente; e nós não somos fortes senão quando a nossa fraqueza se nos torna evidente. Ela é o lugar em que a graça pode surpreender-nos" 

André Louf

A Fé é a certeza de que os nossos ombros servem para carregar o preço da felicidade dos outros.

"Há que acreditar na nossa capacidade de ser diferentes, de fazer a diferença. Criadores do que não passa, da própria eternidade. A Fé não leva ninguém a ajoelhar-se perante a fatalidade dos acontecimentos e assim esperar por momentos bons. A Fé é a vontade de criar, com as próprias mãos, um mundo melhor, a força que nos anima na luta contra o que não é senão mera aparência. A Fé é a certeza de q
ue os nossos ombros servem para carregar o preço da felicidade dos outros.

Quem se resigna, vai com as coisas que passam, até se perder para sempre no oceano dos egoísmos... convencido até ao último instante que não há outra forma. Que foi condenado, à partida, à tristeza eterna.

Não. Cada um de nós pode e deve ser feliz. Não nos percamos pois em retrospectivas. Olhe-se para o futuro, para o constante milagre da vida que jorra de lá e nos vem abraçar...

Tudo está em aberto. Sermos felizes de verdade, da felicidade que não passa, depende unicamente de nós – da capacidade de lutarmos por aqui…

Pois Ele é que sabe!

Algumas semanas estremeço-me ao não conseguir saber viver. E é que a vida requer  de uma sabedoria para ser  acertadamente vivida. Sabedoria, combinação de dois. Do homem por ser homem. De Deus apenas por ser Deus. Ao uníssono, a vida soa-me melhor. Atender as duas na sua justa proporção é o sucesso do crente. Sucesso e repto a cada momento, pois desconhecemos essa receita. Mas enquanto a procuramos, crescemos. "Esforça-te em tudo como se tudo dependesse de ti, confiando intensamente que tudo é por Deus". Mas este equilíbrio quebra-se por semanas, dando passo a um peso que pesa a cada passo. É a nossa auto-suficiência infectada de inveja e de contradição, causa de desordem e caos nas nossas maneiras. Vais-te afundando em ti próprio, ficando-te Deus cada vez mais longe. Mas agora é que há remédio! Desprende-te apenas de falsas capacidades, e abraça como nunca a sabedoria do Deus sábio! Pois Ele é que sabe!   (Álber Fernández, in Silencios Guiados, 2008 - Valladolid)
Dia 13! Que sorte porque é dia, que azar porque é dia 13; que sorte porque não é sexta-feira, que azar por já ser sábado ou por estar ou não a chover. Curioso... À medida que a fé vai perdendo qualidade, não aumenta o ateísmo, aumenta a superstição. O nosso mundo à medida que se orgulha de não precisar de Deus, enche-se de amuletos e de bruxas.


NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS
365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê
Vasco P. Magalhães, sj

Dimensão do futuro

A descoberta da dimensão do futuro é efeito da religião bíblica. Todas as outras religiões do mundo antigo celebravam apenas o terno retorno das origens divinas; estavam orientadas para o modelo do movimento cíclico. Nada de novo acontece debaixo do sol; só é real o o que sempre foi e é eterno. O pensamento bíblico rompeu este ciclo infernal. Para ele, existe a ação e o evento, dão-se inícios realmente novos, que garantem a esperança. A salvação não consiste no começo, mas é uma promessa para o fim da história. O pensamento bíblico eliminou assim o fatalismo do eterno retorno do idêntico. Walter Kasper

LA HERENCIA

El frío inconsolable de los pobres.
No basta la abundancia para arropar el frío
que se hereda en los genes y nace del escombro.
No hay leña que derrita tanta nieve embrionaria.
Se encienden chimeneas. Con la lana se teje un sol,
un armario de soles, un paño de artificio.
Se adquieren edredones como un nido de pájaros.
Y el frío, por debajo, permanece.
De la médula vuelve la trastienda del hielo
a cubrirme los ojos como sangre reseca.


Ya todo es negritud, glaciar y sangre.
Por mis venas se espesa la eutanasia de un río,
el brutal abandono de la mano paterna,
los hermanos perdidos en la prisa de un puente.
La enfermedad congénita me vigila larvada,
se burla de mi huida cuando cambio de nombre
y usurpo los derechos de otra vida.
Ya todo es cicatriz, hospital y alacranes.


Se conquistan los barrios, la blancura
de las liendres y el suero. Se aprende la costumbre.
Se accede a la oficina, al ropaje, a la fiebre,
al calor esponjoso de los cuerpos.
Y el frío, sin embargo, permanece.


Isabel Pérez Montalbán

Os padres também amam

SEXTA-FEIRA, OUTUBRO 12, 2012
Necessito amar. Mas cortam-me as pernas do amor, para que o amor não ande. Digo-o com todas as primeiras e segundas intenções. Digo-o, porque neste exacto momento tenho uma mão aberta, com os dedos afastados. Fecho-a, e apesar de fechada, tudo me foge da mão, por entre os dedos. E fica apenas o punho fechado. Sai-me da boca e da vontade sem querer. Deus criou-nos assim, com esta vontade infinita de amar. Afinal, é o amor que nos traz a felicidade e Deus quer-nos felizes. Saímos do seminário com esta certeza de que temos de amar a todos, mesmo que isso implique não amar ninguém. E vamos fazendo assim o nosso sacerdócio. Convenhamos que alguns constroem essa casa com uma série de janelas abertas. E não aponto nenhum dedo, pois tenho a mão fechada. Aproveito e fecho também as cortinas. Dizem-nos que para o sacerdócio só há esta porta. E eu acredito nisso, em sentido figurado. Mas todos necessitamos amar, em sentido real. Faz parte da nossa essência de seres f…

Não consegui imagem mais oportuna

Foto por Pablo Sandoval González

Que fé é esta? Em quem creio? Em que creio? Porque creio? Que sentido e que lugar tem a fé na minha vida? Consigo dar razões da fé que professo? Tem sentido falar aos outros da minha fé?

http://rr.sapo.pt/rubricas_detalhe.aspx?fid=70&did=80656

Só quem nos ama pronuncia corretamente o nosso nome, sabe o seu significado até ao fim, está apto a nomear o nosso mundo na sua complexa e enigmática inteireza. Só quem nos ama é capaz de ver-nos como realmente somos: esta mistura apaixonada e contraditória, esta aventura conseguida e, ainda assim, inacabada, esta pulsão de nervos e de alma, de opacidade e vislumbre.

A despedida talvez seja a parte mais difícil da amizade. Não se pode dizer muita coisa. Acho que aprendemos devagar, por vezes com muito custo, por vezes mais serenamente, e ambas as coisas estão certas. Aprendi alguma coisa sobre a arte da despedida com o poeta italiano Tonino Guerra e a sua mulher. Parece que é uma tradição russa (ou pelo menos, eles explicavam-na assim). Antes de partir, ficávamos junto uns dos outros, por uns instantes, em puro silêncio. E, depois, despedíamo-nos de um modo leve, quase alegre, como se não nos fôssemos realmente ausentar. Aqueles instantes de silêncio, porém, tinham atado os nossos cora…
O ressentimento é uma das experiências humanas mais negativas. O ressentido está sentido com os outros está sentido consigo, e remorde-se e não se perdoa nem perdoa, acha que tem todo o direito a isso. É a cegueira do ressentimento! Só um acto de humildade, e saber perder os falsos direitos a que me agarro, pode fazer-me sair dessa dor de andar magoado com a vida.


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Vasco P. Magalhães, sj

Fail better

http://zenpencils.com/comic/87-samuel-beckett-ever-tried-ever-failed/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+zenpencils+%28Zen+Pencils%29

Não são verdadeiras relações, porque não humanizam

Um inferno é viver, já neste mundo, como num "quarto fechado", sem relação, sem comunicar. Cuidado! Há comunicações fictícias, há comunicações que não são verdadeiras relações, porque não humanizam. E quem anda no "inferno" fechado em sim mesmo, inferniza os outros.

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Vasco P. Magalhães, sj
Maybe there's something you're afraid to say, or someone you're afraid to love, or somewhere you're afraid to go. It's gonna hurt. It's gonna hurt because it matters.

John Green
«Ao lado do teu amigo,
nenhum caminho será longo.»
Provérbio japonês
***
Um amigo, por definição, é alguém que cami - nha a nosso lado, mesmo se separado por milhares de quilómetros ou por dezenas de anos. Um amigo reúne estas condições que parecem paradoxais: ele é ao mesmo tempo a pessoa a quem podemos con - tar tudo e é aquela junto de quem podemos estar longamente em silêncio, sem sentir por isso qualquer constrangimento. Temos certamente amigos dos dois tipos. Com alguns, a nossa amizade cimenta-se na capacidade de fazer circular o relato da vida, a partilha das pequenas histórias, a no - meação verbal do lume que nos alumia. Com outros, a amizade é fundamentalmente uma gran - de disponibilidade para a escuta, como se aquilo que dizemos fosse sempre apenas a ponta visível de um maravilhoso mundo interior e escondido, que não serão as palavras a expressar.

Pensemos naquilo que a experiência de amizade
traz de iluminante para estruturar a nossa relação
com Deus: a aceitação do out…

Ser imagem de Deus não é só amar

Interessa perceber como amamos. Porque há formas de amar que são negativas, ou até, destrutivas, e que, no fundo, não são verdadeiro amor. Eis a grande diferença: amar para libertar e promover, ou "amar" para possuir e degradar. Ser imagem de Deus não é só amar: é também a maneira como se ama. Ser imagem de Deus é dar espaço ao outro para que seja ele próprio.

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Y no dejamos de preguntarnos,
una y otra vez,
Hasta que un puñado de tierra
Nos calla la boca...
Pero
       ¿es eso una respuesta?

HEINRICH HEINE, «Lazarus» (1854)
A fé, como amor, é mais uma questão de sentido do que de sentimento. O sentimento vai e vem, mas o sentido pode permanecer. Ter fé é estar convencido de que tem sentido dedicar-se a fazer o bem. A fé é cristã quando se tem a convicção de que a libertação passa por Cristo, mesmo que nada se sinta ou que isso suponha o nosso sacrifício.

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Vasco P. Magalhães, sj
Uma menina, com os seus encantos e birras, deve passar a rapariga, com as suas manias e borbulhas; uma rapariga, com os seus dotes e rebeldia, deve passar a mulher, com a sua elegância e o seu quê de brio vaidoso; uma mulher, com toda a sua sensualidade e com as suas rugas de expressão, deve passar a matriarca, com a sua sabedoria e pose. Uma menina de um metro e sessenta e dois não é menina, nem rapariga, nem mulher, nem matriarca: é um fruto que não amadureceu.

Deram-nos colo, e pequenos degraus que era imprescindível escalar não o foram. Tombámos, saímos do colo, demos por nós no meio de uma escadaria, e vai-nos parecendo que a única coisa que fomos aprendendo é a cair. E na queda somos acompanhados por uma denúncia sem luz que nos inunda os sentidos e nos faz viver encharcados em desânimo; falta-nos a denúncia profética, que acrescenta futuro, e que mesmo no meio da perturbação e comoção, nos permite encontrar paz.

Temos que fazer a passagem do confronto com a crise ao encontro com…
Rainer Maria RILKE ( 1875-1926), "Cartas a um Jovem Poeta":

“Amar também é bom, porque o amor é difícil.
O amor entre dois seres humanos é provavelmente a mais difícil de todas as nossas tarefas, a maior e última prova, o trabalho para o qual todos os outros trabalhos são apenas preparação.
Por esta razão os jovens, que são ainda inexperientes em tudo, não podem conhecer o amor, têm que aprendê-lo. Com todo o seu ser, com todas as suas forças, concentradas no seu solitário, tímido, palpitante coração, eles devem aprender a amar.

Mas o tempo de aprendizagem é sempre um processo longo de clausura.

Assim, para quem ama, durante muito tempo e pela vida fora, o amor é solidão, isolamento por aquele que ama, intensificado e profundo. O amor não é no início aquilo que se chama dar-se, unir-se a outra pessoa (pois que sentido teria a união de algo não esclarecido, inacabado, ainda subordinado) é um chamamento para que o indivíduo amadureça, para que se torne algo em si mesmo, para que se…
‎"É como o tolo no meio da ponte". Vai para um lado, vai para o outro, e não se decide. Para decidir é preciso motivações claras e a capacidade de deixar algo, isto é, liberdade interior para romper com alguma coisa em favor de outra. Escolher os dois lados ao mesmo tempo é que não é possível. Só escolhe quem sabe perder.

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Vasco P. Magalhães, sj