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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2015

o rio da minha alma desagua na lua

Quando cuidam de nós - Hoje encontrei Deus (também) aqui



"Tichinha avisa quando chegares ao icbas para te ir dar um beijinhoooo" Lokas

When nobody's watching

Hoje encontrei Deus (também) aqui

Social Networking in Real Life -SOCIAL EXPERIMENT

«Eu queria apenas dizer-vos: a miséria é grande e, mesmo assim, acontece-me muitas vezes, à noite, quando o dia findo se sumiu, atrás de mim, nas profundezas, caminhar com passo leve ao longo da cerca de arame farpado e acontece-me sentir sempre subir do meu coração – nada posso contra isso, é assim, aquilo vem de uma força elementar – o mesmo encantamento: a vida é uma coisa maravilhosa e grande.
Depois da guerra temos de construir um mundo inteiramente novo e, a cada nova imposição que nos façam, a cada nova crueldade, devemos opor um pequeno suplemento de amor e de bondade conquistado sobre nós mesmos. Nós temos o direito de sofrer, mas não de sucumbir ao sofrimento. E se sobrevivermos a esta época sãos de corpo e, sobretudo, de alma, sem amargura, sem ódio, teremos também a nossa palavra a dizer depois da guerra. Talvez eu seja uma mulher ambiciosa: gostaria muito de ter uma modesta palavra a dizer.»

‪‎EttyHillesum‬, in Paul Lebeau, s.j., «Etty Hillesum - Um itinerário espiritual…

Viver é apenas amar muito.

É preciso aprender a viver. A qualidade da nossa existência depende de um equilíbrio fundamental na nossa relação com o mundo: apego e desapego. Nesta vida, a ponderação, a proporção e a subtileza são sempre melhores que qualquer arrebatamento. Mas o essencial é aprender que a existência é feita de dádivas e perdas.
Eis porque quem reza deve pedir e agradecer: tudo é, na verdade, um dom. Tudo passa... importa pois prepararmo-nos para a perda, ainda que tantas vezes não seja senão temporária... Alegrias e dores. Só há felicidade num coração onde habita a sabedoria e paciência dos tempos e dos momentos, a paz de quem sabe que são muitos os porquês e para quês que ultrapassam a capacidade humana de compreender.
Na vida, tudo se recebe e tudo se perde.
Amar é um apego natural mas também obriga a que deixemos o outro ser quem é, abrindo mão e permitindo-lhe que parta, ou que fique, sem desejar outra coisa senão que seja radicalmente livre. Aprendendo que há muito mais valor no ato de quem…

Evadi-me

Taizé,
Março 2014
É preciso muito caos interior para parir uma estrela que dança.



Friedrich Nietzsche
“A vida não passa de uma oportunidade de encontro; só depois da morte se dá a junção; os corpos apenas têm o abraço, as almas têm o enlace.”

Victor Hugo

Many moons have come and gone

Hoje encontrei Deus (também) aqui

África minha

Um dia voltas, Pati.
Um dia voltas, mana Pati.
Ou, porventura, não voltas, porque nunca regressaste.

Pedi-te que não me deixasses vir embora

THE EYES OF A CHILD // Noémi Association

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Nunca as minhas mãos ficam vazias

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.



Sophia de Mello Breyner Andresen
Caminaré siempre en tu presencia
por el camino de la vida.
Te entrego, Señor, mi vida, hazla fecunda.
Te entrego mi voluntad, hazla idéntica a la tuya. Caminaré a pie descalzo,
con el único gozo
de saber que eres mi tesoro. Toma mis manos, hazlas acogedoras.
Toma mi corazón, hazlo ardiente.
Toma mis pies, hazlos incansables.
Toma mis ojos, hazlos transparentes.
Toma mis horas grises, hazlas novedad. Hazte compañero inseparable de mis caídas y tribulaciones
y enséñame a gozar en el camino
de las pequeñas cosas que me regalas,
sabiendo siempre ir más allá
sin quedarme en las cunetas de los caminos. Toma mis cansancios, hazlos tuyos.
Toma mis veredas, hazlas tu camino.
Toma mis mentiras, hazlas verdad.
Toma mis muertes, hazlas vida.
Toma mi pobreza, hazla tu riqueza.
Toma mi obediencia, hazla tu gozo.
Toma mi nada, haz lo que quieras.
Toma mi familia, hazla tuya.
Toma mis pecados.
Toma mis faltas de amor,
mis eternas omisiones,
mis permanentes desilusiones,
mis horas de amarguras. Camina, Señor, conmigo;
Acércat…

Frágil

Ouvi hoje num cântico e gostei muito:

"O Senhor constrói com a minha fragilidade."

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Comigo é assim que funciona ;-)

Quem és tu

Quem és tu que assim vens pela noite adiante,
Pisando o luar branco dos caminhos,
Sob o rumor das folhas inspiradas?

A perfeição nasce do eco dos teus passos,
E a tua presença acorda a plenitude
A que as coisas tinham sido destinadas.

A história da noite é o gesto dos teus braços,
O ardor do vento a tua juventude,
E o teu andar é a beleza das estradas.
sophia de mello breyner andresen
"Há pessoas tão pobres no mundo, que Deus não lhes pode aparecer a não ser sob a forma de pão."
Mahatma Gandhi

Nenhum olhar

O teu olhar ficará no meu olhar quando morrer e, morto, contemplar as planícies que serão o teu olhar a anoitecer lento. O teu olhar ficará nas minhas mãos esquecidas e ninguém se lembrará de procurar aí. Penso: nunca ninguém se lembra de procurar as coisas onde elas estão, porque nunca ninguém sabe o que pensa o fumo, ou as nuvens, ou o olhar. E tu. Continuarás perdendo o silêncio por mãos esquecidas, irá a enterrar o teu silêncio dentro do meu peito. Mulher tantas vezes. Mulher repetida na respiração de um lugar passado ou morto. Tempo e vida. Mulher, não sei o que fomos. Sei que, hoje, te possuo. Hoje conheço-te. É meu o teu olhar e o teu silêncio. E de nada me serve já, porque avanço para onde os homens deixam de ser homens. Faço o caminho solitário por entre as ruínas da vida. O caminho onde tudo é muito pouco, e cada uma dessas coisas pequenas é demasiada.


josé luís peixoto

nenhum olhar
Morto, assistirei ao negro absoluto que nenhum homem pode suportar em vida. Nenhuma luz, nenhuma luz. Nunca nenhum homem suportou a escuridão sem nenhuma luz. E é para isto que tenho de caminhar.
josé luís peixoto  nenhum olhar
Bendecir, es “decir bien”; no sólo un hablar bien de las cosas o las personas sino un referirse al “bien” que ellas contienen.


José María Toro

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Dietmar Temps
Lo profano no es la antítesis de lo sagrado, sino que es su portador.
«Dios se hace real en los regalos pequeños y en los placeres sencillos. Dios e hace presente en las cosas comunes y corrientes, en los débiles, en los fracasados, en los comprometidos. Lo profano no es la antítesis de lo sagrado, sino que es su portador. Podemos perder la perspectiva cuando dividimos el mundo en dos: lo sagrado y lo no sagrado. Siempre que hago esta división, veo que lo he hecho porque estoy resentido o frustrado. Estamos tan empeñados en separarnos de lo mundano que nos perdemos los milagros. Como era de esperar, una vez que vemos el milagro en lo mundano, hacemos todo lo posible para convertir lo mundano en un proyecto, que nos lleva a crear tiempos de lucha. No descansamos en el consuelo de que Dios está presente, lo cual no tiene nada que ver ni con nuestra fe ni con nuestro interés por conferir significado al momento.»
Terry Hershey
Veio do Hospital ainda agora, depois de ter ido colher história, e disse-me:

"Nem imaginas...o meu Senhor nasceu para ser vivo!".

Nascemos todos para ser vivos. Quiséssemos todos nascer para ser vivos.

O dom das lágrimas

Os seis milhões de fiéis na missa de Manila batem certamente recordes de Guinness. Mas o sucesso desta viagem revelou a beleza de uma profunda simplicidade que nem sempre as palavras conseguem definir. 19-01-2015 0:40 por Aura Miguel















A pequena Glyzelle tem 12 anos e vive hoje numa instituição que tenta recuperar crianças abandonadas. A miúda começou a ler diante do Papa umas perguntas dramáticas sobre a realidade dos meninos da rua, que ela própria experimentou: “Porque Deus permite coisas do género se as crianças não são culpadas? E porque tão poucas pessoas nos ajudam?”
Mas Glyzelle, lavada em lágrimas, parou de ler. Quando se recompôs e acabou as perguntas abraçou-se ao Papa.
Não sei o que foi mais comovente: se a atitude da menina, se a reacção de Francisco. É que, apesar da sua habitual expressividade, onde não faltam abraços ternos e acolhedores, desta vez, aquelas lágrimas levaram o Papa a alterar o discurso que tinha para fazer. Pôs de lado o texto escrito e deixou falar o cor…

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Pascal Mannaerts

Me encanta Dios

Me encanta Dios. Es un viejo magnífico que no se toma en serio. A él le gusta jugar y juega, y a veces se le pasa la mano y nos rompe una pierna o nos aplasta definitivamente. Pero esto sucede porque es un poco cegatón y bastante torpe con las manos.  Nos ha enviado a algunos tipos excepcionales como Buda, o Cristo, o Mahoma, o mi tía Chofi, para que nos digan que nos portemos bien. Pero esto a él no le preocupa mucho: nos conoce. Sabe que el pez grande se traga al chico, que la lagartija grande se traga a la pequeña, que el hombre se traga al hombre. Y por eso inventó la muerte: para que la vida - no tú ni yo - la vida, sea para siempre.  Ahora los científicos salen con su teoría del Big Bang... Pero ¿qué importa si el universo se expande interminablemente o se contrae? Esto es asunto sólo para agencias de viajes.  A mi me encanta Dios. Ha puesto orden en las galaxias y distribuye bien el tránsito en el camino de las hormigas, y es tan juguetón y travieso que el otro día descubrí qu…

Aceitar o dia. O que vier.

Aceitar o dia. O que vier.

Atravessar mais ruas do que casas,
mais gente do que ruas. Atravessar
a pele até ao outro lado. Enquanto
faço e desfaço o dia. O teu coração
dorme comigo. Agasalha-me as noites
e as manhãs são frias quando me levanto.
E pergunto sempre onde estás e porque
as ruas deixaram de ser rios. Às vezes
uma gota de água cai ao chão
como se fosse uma lágrima. Às vezes
não há chão que baste para a enxugar.


Rosa Alice Branco
Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.

Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível

E o que eu desejo é luz e imaterial.

Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?



Hilda Hilst

Uma palavra então basta, um sorriso. E alegro-me

Gosto dos teus silêncios porque estás como ausente
e me ouves de longe, e a minha voz não te toca.
Dir-se-ia que os olhos te fugiram
e que um beijo te fechou a boca.
Como todas as coisas estão cheias da minha alma
tu emerges das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces-te com a minha alma
e pareces-te com a palavra melancolia.
Gosto dos teus silêncios, quando estás como distante.
E é como se te queixasses, borboleta em arrulho.
E ouves-me de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o teu silêncio.
Deixa que te fale também com teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, silente e constelada.
O teu silêncio é de estrela, tão remoto e tão simples.
Gosto dos teus silêncios porque estás como ausente.
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.
Uma palavra então basta, um sorriso.
E alegro-me, alegro-me por não ser verdade.
Pablo Neruda
"Melhor ainda que um amigo com um livro é um amigo que nos deixa ler o seu livro."
“Never doubt that a small group of thoughtful committed citizens can change the world. Indeed, it is the only thing that ever has.”

Margaret Mead

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O caminho, a verdade e a vida

Caminho de Santiago, 2015
Só por isto vivi

Mãe

António Lobo Antunes, Crónica publicada na VISÃO 1140, de 8 de janeiro 15:38 Quinta feira, 15 de Janeiro de 2015 

Era muito bonita, a mãe. Ensinou-nos a ler e ensinou-nos a dançar, talvez as duas coisas mais importantes do mundo. E lembro-me de a ver andar de bicicleta na Praia das Maçãs, um pouco indignado porque andar de bicicleta era uma coisa para nós, não era uma coisa para ela
Quando eu era pequeno, à noite, e já estava sentado na cama, a mãe dizia 
com Deus me deito com Deus me acho aqui vai o Tóino pela cama abaixo 
eu ia, ela apagava a luz, e logo a seguir manhã. Hoje sonhei que estava sentado no parapeito do Viaduto Duarte Pacheco, a minha mãe chegava, dizia
com Deus me deito com Deus me acho aqui vai o Tóino pela cama abaixo 
eu ia e logo a seguir nada. Um dia destes vai ser assim, desejo que um dia destes seja assim.
O meu irmão Pedro morreu muito depressa no dia 21 de Dezembro, como era costume nele sem prevenir ninguém, mas tenho a certeza que, em qualquer ponto seu
com…

Prometo falhar

Prometo falhar.
Sem hesitar. Prometo ser humano, aqui e ali ser incoerente, aqui e ali dizer a palavra errada, a frase errada, até o texto errado, aqui e ali agir sem pensar, para que raios serve pensar quando te amo tão desalmadamente assim? Prometo compreender, prometo querer, prometo acreditar. Prometo insistir, prometo lutar, descobrir, aprender, ensinar. Tudo para te dizer que prometo falhar. E Deus te livre de não me prometeres o mesmo. «Foste a maneira mais bonita de errar.» E ela sentiu a respiração a faltar, hesitou como nunca tinha hesitado, quis pensar aquilo tudo, colocar todas as possibilidades nos pratos da balança, mas quando deu por si não disse «quero tanto mas deixa lá», quando deu por si estava a pensar em como conseguira deixar de pensar, um ou dois segundos de ela própria, o amor só existe quando nos oferece pelo menos um ou dois segundos de nós próprios. «Se voltas a falhar juro que te amo para sempre.» E ela falhou.

Pedro Chagas Freitas Prometo Falhar

Hoje encontrei Deus (também) aqui

Por vezes, por dentro, ajoelho-me. E rezo.  Há Deus em mim.  E descubro-Te. Por milagre.

Primavera: regresso

12 de Abril

Invoco-te agora porque sei que me ouves, que os que amamos não morrem pela morte, só morrem em vida. Invoco-te, mãe, porque hoje, Domingo de Páscoa, foi um dia muito duro para mim - com amigos que não estavam onde deveriam ter estado, mentiras que estavam no lugar das verdades e um deserto para atravessar, depois de ter atravessado e sobrevivido, tão próximo ainda, exposto e indefeso, o terrível corredor do hospital que antecede a grande sala das decisões, a que também chamam a sala de operações. Como podes ver, vou recuperando, devagar no corpo e pior no resto. Mas, ontem, estive em Lagos, na Ponta da Piedade, olhando as nossas grutas - o meu território de infância, a luz da tua poesia. Vi o nosso mar e as nossas rochas, vi ali, claramente vista, a verdade e a imanência, a dignidade das coisas em que sempre acreditaste e em que me ensinaste a acreditar. Vi o teu olhar azul como o do mar de Lagos, a tua voz tranquila, as palavras ditas sem desperdício algum, a tua mão dese…

Também quero

Naquilo que não fui vim encontrar-me E sempre que te vi recomecei


Daniel Faria Poesia Quasi Edições, 2003

el jabon - un video para reflexionar

E é tudo o que peço à vida desde que te conheci: acordar por dentro do teu olhar: acordar por dentro dessa calma que me acalma os medos: dessa calma que me tempera os fogos. E se um dia tentei deixar-te e à vida foi porque não consegui olhar-te vezes suficientes: foi porque não consegui olhar-te vezes suficientes para perceber que é esta a minha arte. Ter-te. Cuidar-te. Se nunca o olhas vezes suficientes: então é amor.
Pedro Chagas Freitas
Aqui eu aprendi que viajar é olhar. E, por isso, eu continuo a olhar, para que a viagem não acabe nunca. Sei que muitas vezes, talvez, a luz que guia o meu olhar apagar-se-á e o mundo ficará só de sombras. Porque nada é eterno, nem a luz, nem Roma, nem o esplendor dos dias felizes. Mas, mesmo então, fechando os olhos eu direi, à maneira de Neruda: "Confesso que vivi".

não se encontra o que se procura
miguel sousa tavares

Saudade

Quero sentar-me no meu terraço à noite e ficar a escutar os gritos dos pássaros noturnos, o riso das rãs na água, o som escondido das estrelas que morrem em silêncio a milhões de anos de distância, e o som do tempo que, de noite, ali não passa.
Não se encontra o que procura Miguel Sousa Tavares

Sei apenas olhar

Mas não perguntem nunca porque escrevemos: não há resposta para essa pergunta. Escrevemos como outros pintam, outros fotografam, outros filmam, outros compõem música. Porque está lá: porque está ali uma imagem e nós fotografamo-la; porque está ali um som e nós transformamo-lo em música; porque está ali um texto e nós escrevemo-lo. Não sabemos nunca como estas coisas nascem e de onde vêm; sabemos, às vezes, para onde vão e como irão, conduzidas pela nossa mão; mas não sabemos porquê: porquê connosco, porquê agora, porquê desta maneira e não de outra? Alguns tentam explicar isso pela compulsão, pela necessidade irresistível, pela vocação, talvez. Eu não sei dizer: sei apenas olhar e sei que, olhando, olhando sempre, vendo o que merece ser visto, eu hei-de escrever - porque quem viu deve testemnunhar. Eu sou uma testemunha, um contador de histórias, um homem que passa a palavra. E, ao passá-la, ao contar tudo o que vi, vivo duas vezes.


não se encontra o que se procura

miguel sousa tavares
Passaram três anos e meio desde Moçambique. Tinha dezasseis anos. E essa idade foi há tanto tempo. E tinhas tantos porquês. Nunca houve palavras escritas ou lidas que contassem realmente aquele mês. Encontrei-as hoje:
"Uma pergunta fica suspensa nas manhãs de Verão a nas noites de luar: Como é que se regressa  quando não se sabe porque se partiu?".
não se encontra o que se procura, miguel sousa tavares

Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver

Há momentos assim na vida, em que nos sentimos tão próximos da beleza e da verdade que tudo o resto parece irremediavelmente fútil.  Acredito, pelo que aprendi experimentando, que viver é largar e seguir em frente. Mesmo que em frente esteja apenas o incerto, o desconhecido, o não vivido. Aprendi também que vemos o que vemos, o que queremos ver e o que ninguém mais enxerga. Vemos tanto mais quanto a nossa disponibilidade de ver: viajamos dentro de nós, primeiro que tudo.

não se encontra o que se procura miguel sousa tavares
Sim, sim, não, não
Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não;
Mt 5, 37

«Hoje há muita necessidade de beleza»

Para o papa, «há a linguagem da mente, pensar,  a linguagem do coração, amar,  a linguagem das mãos, fazer.  E estas três linguagens unem-se para fazer a harmonia da pessoa».
O papa Francisco assistiu hoje, no Vaticano, à exibição de artistas do Golden Circus di Liana Orfei, a quem pediu que fossem «não só portadores do sorriso e mensageiros de solidariedade entre os povos e nações, mas também criadores de beleza».
«As pessoas que fazem o espetáculo no circo criam beleza, são criadores de beleza. E isto faz bem à alma. Quanta necessidade nós temos de beleza», afirmou Francisco, de improviso, refere o jornal italiano “Avvenire”.
«É verdade, a nossa vida é muito prática, fazer as coisas, levar por diante o trabalho, isto tem de se fazer: o fazer, a linguagem das mãos... A nossa vida é também o pensar, a razão, a linguagem da mente. Também somos pessoas que amam, que têm esta capacidade de amar, a linguagem do coração», sublinhou.
Para o papa, «há a linguagem da mente, pensar, a linguagem d…
A vida é o momento em que as pessoas. Só assim. Sem mais uma palavra. A vida é o momento em que as pessoas, disse-lhe ele, embrulhado nos braços dela, o corpo velho como se fosse novo. Há sempre uma pessoa para cada milagre, respondeu ela.
Pedro Chagas Freitas
Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à sua cor da pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é o mais natural no coração humano que o seu oposto.

Nelson Mandela

Je ne suis pas Charlie

José Maria Duque, Samurais de Cristo, 2015.01.07

Hoje três homens entraram na redacção do jornal satirico Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas. Foi um acto bárbaro, sem qualquer justificação possível.
Num Estado civilizado tem que haver liberdade até para insultar. Ninguém deve ser morto por exprimir a sua opinião, qualquer que ela seja. Se alguém fica ofendido pelo que o outro escreve ou desenha tem uma solução fácil: não lê, não olha, não compra. Se mesmo assim se sentir ofendida tem outras soluções: promove um boicote, uma campanha ou mesmo recorre aos tribunais.
Por isso nada justifica aquilo que hoje aconteceu em Paris. Mais grave ainda porque vem no seguimento de vários atentados que têm vindo a ser feitos em França neste último mês. A grande diferença é que aquilo que aconteceu hoje não foi claramente fruto de um só homem, mas sim um operação planeada com alvos definidos.
Dito isto, não posso dizer, como na campanha que começa a ganhar forma no facebook, que "je suis Charli…

Um dia, Pati

Marte é um planeta demasiado perto.

Confesso que estou sem palavras.

No dia em que pus o meu barman (que há mais de 20 anos se expressa livremente aqui no PÚBLICO) a manifestar o desejo de ir para Marte, por estar cansado do que acontece neste planeta, a sede do jornal satírico francêsCharlie Hebdo, em Paris, foi atacada barbaramente. À hora a que escrevo,estão confirmados 12 mortos. Um deles é Georges Wolinski, um dos primeiros cartoonistas que conheci e admirei.

Não consigo compreender como se pode matar alguém pelo que diz, canta, escreve ou desenha. Não é um cenário do século XXI, mais parece da Idade Média. Mas de uma Idade Média 2.0, “high tech”, onde os intolerantes têm muito mais capacidade destruidora. O mundo, cada vez mais formatado para o homem, é cada vez mais desumano. Uma contradição? Se calhar não, o que é mais preocupante.

Marte é um planeta demasiado perto.
LUÍS AFONSO 07/01/2015 - 16:06 http://www.publico.pt/mundo/noticia/ir-para-marte-1681470

Um dia negro

Que palavras se podem encontrar para descrever o que todos nós sentimos após o atentado contra o "Charlie Hebdo", em França? O jornalismo está de luto e cada jornalista, quer seja polemista ou não, tem hoje o coração pesado e triste. Os nossos pensamentos vão para os nossos colegas que perderam a vida apenas por exercerem a sua profissão, e aos seus próximos. Pensamos também nos polícias, friamente abatidos, que estavam lá para defender os valores que são nossos e a população.
Quer se goste ou não do "Charlie Hebdo", quer se partilhe ou não o seu ideário e o seu sentido de provocação, não é importante. Cada época conheceu os seus panfletários, os seus polemistas, que a dado momento caricaturaram os excessos do seu tempo. Sem eles, a democracia não se teria construído.
A liberdade de pensamento e de expressão é uma das aquisições fundamentais da nossa sociedade. Muitas vezes, e com justiça, levantamo-nos contra as prática que, em certos locais do mundo, visam amord…

Paz

Elicia Elidanto
El amor, a quien pintan cego, es vidente y perspicaz porque ele amante ve cosas que el indiferente no ve y por eso ama.

Ortega y Gasset
1883-1955
viver com a crueldade da criança que tira os olhos ao pássaro
um desconhecido movendo-se constantemente no deserto em que cada pegada deixa bem marcada na areia a imagem dessa outra existência em que a morte e a memória ainda mais significam
mais alto
muito mais alto talvez que a claridade do voo das aves que partem para o desconhecido
o próprio corpo nada mais é do que a sombra bem simples por sinal dos braços que nos rodeiam por erro nosso ou dos outros já não existe a persistência do que foi perdido
e as mãos as mãos que sentimos bem presas     seguras     aptas essas todos sabemos que podem ainda     cada vez mais esmagar com cuidado     com extremo cuidado dilacerar     suavemente

nos olhos está o amor

mário-henrique leiria a única real tradição viva antologia da poesia surrealista portuguesa perfecto e. cuadrado assírio & alvim 1998

A coragem é a força do coração

A coragem é um movimento do espírito pelo qual um coração grande se dá a conhecer. Não é uma força bruta da vontade, é uma decisão da consciência. É a capacidade de ser livre apesar do medo. Só um bom coração reconhece o bem e tem de ser grande para lutar pelo melhor que há na vida. O heroísmo dos grandes corações revela-se, não diante de enormes ameaças ou dos perigos mais assustadores, mas na vida comum de pessoas que nunca será reconhecida. Há muita gente que vive o seu amor ao bem de uma forma tão sublime quanto anónima. São os anjos que há na terra. Têm carne, ossos e problemas grandes e pequenos... tal como todos nós. Podemos ser nós! Ter coragem dói. Os corações grandes têm muitas mágoas. Carregam as suas, aquelas de que ninguém suspeita, e as de outros... que não querem ou não podem levá-las sozinhos. Os corajosos encontram sempre forma de sofrer, mesmo quando estão bem. Sabem que não se pode ser feliz sozinho, nem, tão-pouco, com alguém a sofrer ali ao lado. São felizes, mas…

ROBERTA FLACK ~ Bridge Over Troubled Water ~

When you're weary, feeling small
When tears are in your eyes
I will dry them all

I'm on your side
Oh when times get rough
And friends just can't be found

Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

When you're down and out
When you're on the street
When evening falls so hard, I will comfort you

I'll take your part
Oh, when darkness comes
And pain is all around

Like a bridge over troubled water
I will lay me down
Like a bridge over troubled water
I will lay me down

Sail on silver girl, sail on by
Your time has come to shine
All your dreams are on their way
See how they shine

Oh, if you need a friend
I'm sailing right behind

Like a bridge over troubled water
I will ease your mind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind



Abensonha-me. Por favor.

Não me basta ser:
eu quero o transbordar de tudo,
o desassombro
que toda margem desconhece.

Não me basta morar:
quero ser habitado
por quem ao destino desobedece.

Não me basta viver:
quero a vida como febre,
o amor como lume e água.

No final, saberás:
o que se ama não regressa.

O que se vive
não começa.

E o sonho
nunca tem pressa.


Mia Couto

fui à margem do dia despedir um amigo

É grande o risco da palavra no tempo maior mesmo talvez que no mar Eu fui à margem do dia despedir um amigo e não houve no cais iniciativa verbal que edificasse uma só tenda para o nosso coração Éramos peregrinos que deixam a saudade de turistas ausentes na rua de outono Morríamos contra a curva dos dias a morte rotativa e provisória
Tivesse a própria palavra lábios e nenhum clima poderia arrefecer-lhe o coração Tivesse ela lábios e não seria tão grave o risco no tempo e no mar

ruy belo relação todos os poemas I assírio & alvim 2004