Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2017
"primeiro acredita, porque é assim que tudo começa. depois descomplica, porque é assim que tudo avança. a seguir confia, porque é assim que respiras fundo. e já na estrada, de mangas arregaçadas e olhar focado no caminho, ajusta a tua bússola. marca o teu ritmo. pelo caminho, abraça muito. ao longo da viagem, sê mais do que construtora da tua vida: sê também cuidadora.(...)"
http://www.asnovenomeublog.com/2017/09/tu-mereces.html
«Por onde quer que as nossas vidas sigam. Por mais longe que elas se declinem, há sempre o lugar de onde viemos. O lugar onde existimos desde o início, com todos os nossos inícios. Muito importantes, os lugares onde construímos as nossas ilusões primeiras. Mesmo que se desfaçam, nada nem ninguém pode alterar o sítio inicial onde foram acalentadas como matéria preciosa. Os cenários onde nos projectámos no mundo lá de fora. Os lugares onde dissemos muitas vezes, quando eu for grande, quando eu for grande, quando eu for grande.»

http://d-amar.blogspot.pt/2017/10/vouzela-continua-linda.html
Tapas os caminhos que vão dar a casa
Cobres os vidros das janelas
Recolhes os cães para a cozinha
Soltas os lobos que saltam as cancelas

Pões guardas atentos espiando no jardim
Madrastas nas histórias inventadas
Anjos do mal voando sem ter fim
Destróis todas as pistas que nos salvam

Depois secas a água e deitas fora o pão
Tiras a esperança
Rejeitas a matriz
E quando já só restam os sinais
Convocas devagar os vendavais

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

Sophia de Mello Breyner Andresen
À vinda do supermercado
diz-me o pequeno monstro
que às vezes me faz companhia:
«E qual é a tua razão de ser?»


Na rua, a tarde rola devagar
entre prédios murchos — e ele
acrescenta: «Não me digas
que são os versos.»


E ri-se







Rui Pires Cabral
"Broken crayons still color"

"Coisas que têm quereres"

I am sorry this is always how it goes The wind blows loudest when you've got your eyes closed But I never changed a single colour that I breathe So you could have tried to take a closer look at me I am tired of punching in the wind I am tired of letting it all in And I should eat you up and spit you right out I should not care but I don't know how So I take off my face 'Cause it reminds me how it all went wrong And I pull out my tongue 'Cause it reminds me how it all went wrong I am sorry for the trouble, I suppose My blood runs red but my body feels so cold I guess I could swim for days in the salty sea But in the end the waves will discolour me So I take off my face 'Cause it reminds me how it all went wrong And I pull out my tongue 'Cause it reminds me how it all went wrong And I cough up my lungs 'Cause they remind me how it all went wrong But I leave in my heart 'Cause I don't want to stay in the dark So I take off my face 'Cause it reminds me how it all went wrong …
Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Cecília Meireles, in 'Vaga Música'

Coisas que têm quereres

Dá-nos a tua paz

Dá-nos a Tua paz,
Deus Cristão falso, mas consolador, porque todos
Nascem para a emoção rezada a ti;
Deus anti-científico mas que a nossa mãe ensina;
Deus absurdo da verdade absurda, mas que tem a verdade das lágrimas
Nas horas de fraqueza em que sentimos que passamos
Como o fumo e a nuvem, mas a emoção não o quer,
Como o rasto na terra, mas a alma é sensível...
Dá-nos a Tua paz, ainda que não existisses nunca,
A Tua paz no mundo que julgas Teu,
A Tua paz impossível tão possível à Terra,
À grande mãe pagã, cristã em nós a esta hora
E que deve ser humana em tudo quanto é humano em nós.
Dá-nos a paz como uma brisa saindo
Ou a chuva para a qual há preces nas províncias,
E chove por leis naturais tranquilizadoramente.
Dá-nos a paz, porque por ela siga, e regresse
O nosso espírito cansado ao quarto de arrumações e coser
Onde ao canto está o berço inútil, mas não a mãe que embala,
Onde na cómoda velha está a roupa da infância, despida
Com o poder iludir a vida com o sonho...
Dá-nos a tua paz.
O mundo é incerto e…
They say home is where the heart is But my heart is wild and free So am I homeless Or just heartless? Did I start this? Did it start me?



They say fear is for the brave For cowards never stare it in the eye So am I fearless to be fearful Does it take courage to learn how to cry
So many winding roads So many miles to go And oh
Oh they say love is for the loving Without love maybe nothing is real So am I loveless or do I just love less
Oh since love left I have nothing left to fear
So many winding roads So many miles to go
When I start feeling sick of it all It helps to remember I’m a brick in a wall Who runs down from the hillside to the sea When I start feeling that it’s gone too far I lie on my back and stare up at the stars I wonder if they’re staring back at me
Oh when I start feeling sick of it all It helps to remember I’m a brick in a wall Who runs down from the hillside to the sea When I start feeling that it’s gone too far I lie on my back and stare up at the stars I wonder if they’re staring back at me

"Guardar só o que é bom de guardar"

Fui criança, indo por um carreiro,
a caminho do mar, mão na outra mão,
entre árvores, pedras, insectos e aves.
Toda a Natureza me coube nas pupilas,
mestra de sentimentos, e eu discípula.
E, se fechava os olhos, ela punia-me
com o silêncio cruel das ondas,
a mudez imerecida dos insectos,
e a distância das aves, que doía.
e os abria, tudo me rodeava,
apaziguado e meu,
mas a mão que me trazia a mão
puxava-me para a luz de cada dia.


Fiama Hasse Pais Brandão
Cenas Vivas, Relógio d’Água
É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, para lhe dizer adeus.
Fiz sinal de gostar de o ver ainda, mais nada.


1920?

alberto caeiro
poemas inconjuntos
poemas completos de alberto caeiro
fernando pessoa
presença
1994
Um dia há um vulgar homem na falésia, um pássaro cantando na varanda, uma simples fissura na parede – e levantamos uma pedra, uma casa. Parecemos ratos se não estivermos atentos, porque é Deus a provocar as evidências, batendo no joelho com a Sua larga mão. “Até que enfim!” – e faculta-nos o dom de um vislumbre e lança-nos depois em novas trevas.





carlos poças falcão sinais arte nenhuma (poesia 1987-2012) opera omnia 2012
Não é fácil ser poeta a tempo inteiro.
Eu, por exemplo, nem cinco minutos
por dia, pois levanto-me tarde e primeiro
há que lavar os dentes, suportar os incisivos
à face do espelho, pentear a cabeça e depois,
a poeira que caminha, o massacre dos culpados,
assistir de olhos frios à refrega dos centauros.


E chegar à noite a casa para a prosa do jantar,
o estrondo das notícias, a louça por lavar.
Concluindo, só pelas duas da manhã
começo a despir o fato de macaco, a deixar
as imagens correr, simulacro do desastre.
Mas entretanto já é hora de dormir.
Mais um dia de estrume para roseira nenhuma.








José Miguel Silva

"Guardar só o que é bom de guardar"

Há a saudade
e há a saudade que vos pertence

Pardalitos dos meus olhos!

Zumalai, Agosto de 2017



"Guardar só o que é bom de guardar"

"Mister, mister, photography!"

O sorriso deles quando percebiam que falávamos português...

Dili, 21 de Agosto de 2017

Podia ver isto todos os dias...

Why did you stop loving life? Well, you don't love life itself. You love, uh, places, animals, people, memories, food, literature, music. And sometimes you meet someone... who requires all the love you have to give. And if you lose that someone, you think everything else is gonna stop too. But everything else just keeps on going. Giraudoux said, you can miss a single being, even though you are surrounded by countless others. Those people are like... like extras. They cloud your vision, they're a meaningless crowd. They... They're an unwelcome distraction. So you seek oblivion in solitude. But solitude only makes you wither. So I'm an unwelcome distraction. I'm a cloud? You are the only part of my life I haven't figured out yet.

"Guardar só o que é bom de guardar"

"Précisa foto"

Zumalai, Agosto de 2017


Das favoritas desde sempre

Even if a day feels too long
You feel like you can't wait another one
You're slowly givin' up on everything
Love is gonna find you again Love is gonna find you, you better be ready then You been kneelin' in the dark for far too long
You've been waitin' for that spark, but it hasn't come
Well I'm callin' to you, please, get off the floor
A good heart will find you again A good heart will find you, just be ready then Tethered to a bird of sorrow
A voice that's buried in the hollow
You've given over to self-deceivin'
Your prostrate bowed would not be leavin'
You've squandered more than you could borrow
You've bet your joys on all tomorrows
For the hope of some returnin'
While everything around just burnin' Come on, we gotta get out, get out of this mess we made
And still for all our talk, we're both so afraid
Will we leave this up to chance, like we do everything?
Love is gonna find us again Love is gonna find us, we gotta be ready then Te…
Não ter um Deus
não ter um túmulo
não ter nada de certo
mas apenas coisas vivas que nos fogem –
existir sem ontem
existir sem amanhã
e cegar no vazio
– socorro –
pelo sofrimento
que não tem fim –



Antonia Pozzi

"Guardar só o que é bom de guardar"

Meysi

Montanha, Zumalai, Agosto de 2017
Cada um de nós nasce com um artista lá dentro. Um poeta, um escultor, um aventureiro... um cientista, um pintor, um arqueólogo, um estilista, um astronauta, um cantor, um marinheiro. E o sonho e a distância, e o tempo e a saudade deram-nos vida, amor, problemas, mentiras e verdade; e damos por nós mesmos descobrindo que agora, se calhar, já é um pouco tarde. E nas memórias velhas e secretas da menina morou sempre aquele sonho de um dia ser... bailarina, actriz, modelo, princesa, muito rica; eu sei lá! Mas os anos correram num assombro, e a vida foi injusta em qualquer jeito para a chama indelével que ainda arde. E os filhos são bonitos no seu peito. Pois é... mas agora... agora já é tarde. E nos papéis antigos que rasgamos há sempre meia dúzia que guardamos. São os planos da conquista do Pólo Norte que fizemos aos sete anos, escondidos no sótão uma tarde, e estiveram perdidos trinta anos. E agora, se calhar, maldita sorte! Por desnorte, acaso ou esquecimento, alguém já descobriu o Pó…

"Guardar só o que é bom de guardar"

"Senhor José", era assim que o chamava nas aulas. Foi o meu anjinho da guarda pequenino desde o início, mesmo estando longe de o saber.

Tenho saudades tuas, Josésito! Como não tê-las?

Zumalai, Agosto de 2017