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Viver a fé exige poesia.

Viver a fé exige poesia. Parece-me que ser homem ou mulher de fé implica entranhar na beleza de pequenos nadas, do quotidiano, em conjunto com a brutalidade dos acontecimentos locais e universais. A bomba que cai em sítios longínquos estilhaça em ecos nas nossas vidas, tanto pela ignorância, como pela dor provocada nos gritos ensurdecidos das crianças, de cá e de lá. E o sol insiste em nascer, tal como a chuva cair, sobre cada ser humano. Quem vive fé, deixa-se entranhar por esse sentir da Vida que não se cansa de nos anunciar Paz, a começar em cada coração. É uma aventura tremenda, de nos pormos diante de Deus, silenciando e escutando o pulsar que nos ajuda a encontrar a cura das feridas da memória e, assim, empurrar à Vida maior. É preciso dar-se tempo, voltando à peregrinação de terra batida, onde os passos são dados à medida da necessidade dessa escuta. Em paragens de se dar conta do aqui e do agora, sem angústias de passado, nem ânsias de futuro. Que posso fazer? Que posso, realmente, fazer? A fé ganha corpo, nesse gesto por quem tantas vezes se desdenha, julga mal, esquece… e cá, no quarto ao lado, na porta da frente, no prédio da rua de trás. E o bem concreto que promovo, aqui perto, nesse amor ao próximo nada abstracto, espalha-se até longe. O coração de carne, pela fé em Deus feito Humanidade, ama pessoas, ajudando-as a ser mais humanas.

Pe. Paulo, sj

http://oinsecto.blogspot.pt/2016/11/viver-fe.html

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Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…