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Quando Pedro diz “eu não conheço esse homem”, no fundo, está a dizer: “eu não me reconheço nesse Jesus Cristo frágil, vulnerável, impotente; não me reconheço nesse Jesus que se cala, e se deixa prender e maltratar”. E quem se poderia reconhecer em tal figura? A nossa tendência natural é juntar-nos aos fortes, aos poderosos, aos vencedores; temos aversão a toda a vulnerabilidade. Isso mostra como Jesus Cristo nunca poderia ser invenção humana. Nunca nos atreveríamos a pensar um Deus assim. Por isso, o melhor a fazer será: suspender o juízo, aceitar o incompreensível e acompanhar os acontecimentos: talvez aí a realidade nos alcance e nos dê a ver o que nunca vimos.

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Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…