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Hoje de manhã no café vi duas senhoras de idade profética a darem um abraço gigante, um amasso cheio de juventude. 
As imagens de pessoas mais velhas ou de crianças pequenas tocam-nos sempre, fiquei a pensar. É mais fácil fazer bonito nos extremos. Esta meia idade embaraço-nos as emoções. 
Já sabemos o que é certo mas nem sempre praticamos.
Uma das coisas que melhor fiz, neste intervalo grande de idade, foi permanecer nas amizades. Não como quem busca consolo, mas como quem encontra paz. Falo todos os dias às minhas filhas sobre a importância dos amigos. A família é o núcleo de acolhimento, mas a malta sabe a carga traumática que às vezes encerra. Os amigos só nos traumatizam quando não o são. Sendo. São no sempre. E não, não tem a ver com número, tem a ver com a qualidade humana. E o princípio é simples só se recebe na medida do que se dá. Não se poupem.

Isabel Saldanha

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Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…