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Lidar mal com a dor e o sofrimento não significa que doer e sofrer sejam estados desejados em qualquer hora e qualquer lugar do mundo. Aqui falo da dor física, do sofrimento do corpo, faço das sensações imediatas, primitivas, porque aquelas que ficam cravadas na alma não têm descrição possível, nem registo concreto, nem nenhuma das palavras são capazes de as alcançar. As dores dos lutos, das perdas, das saudades, das sepulturas são medonhos, desumanos silêncios.

passageiro clandestino,
leonor xavier

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Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…