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Maré

E nascemos sem nós querermos,
E vivemos sem saber
A razão porque vivemos.
Onda desfeita no ar.
Esperança que brada em espuma
Contra a muralha de pedra
Dum desconhecido destino.
E a maré, vida em fermento,
Nunca cansa de bater
Contra esse muro de granito
Na ânsia de o desfazer.




SARAIVA BATARDA, in SEPARATA DA MENSAGEM (Moçambique, 1951), in ANTOLOGIAS DE POESIA DA CASA DOS ESTUDANTES DO IMPÉRIO 1951-1963, vol. II (ACEI, 1994)

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Oh Senhor

Ó Senhor, que difícil é falar quando choramos, quando a alma não tem força, quando não podemos ver a beleza que tu entregas em cada amanhecer.
Ó Senhor, dá-me forças para poder encontrar-te e ver-te em cada gesto, em cada coisa desta terra que Tu desenhaste só para mim.
Ó Senhor, sim, eu seu preciso da tua mão, do abraço deste amigo que não está. Dá-me luz, à minha alma tão cansada, que num sonho queria acordar.
Ó Senhor, hoje quero entregar-te o meu canto com a música que sinto. Eu queria transmitir através destas palavras. Fico mais perto de ti.
O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo.




Fernando Pessoa