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E por vezes

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira, in 'Matura Idade'

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Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
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Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
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Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
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Onde planto flores de sono, que amo e possuo
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E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
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Na…