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- Morrer é difícil, paizinho?
- Não. Creio que é muito fácil, Nick. Mas depende.
Estavam sentados no barco, Nick à popa e o pai a remar. O Sol começava a espreitar por cima dos montes. Uma perca saltou e descreveu um círculo na superfície do lago. Nick meteu a mão na água e deixou-a arrastar. A água estava tépida no frio cortante da manhã.

Ao atravessar o lago de manhãzinha, sentado à popa do barco e com o pai a remar, teve a certeza de que nunca morreria.



Contos de Nick Adams
Ernest Hemingway

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Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…