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“Sobe o calor”, a canção que Sérgio Godinho compôs para o filme “Refrigerantes e Canções de Amor”, de Luís Galvão Teles, é daqueles momentos especiais de um artista, daqueles em que desafia tudo. Desafia a idade, a capacidade de surpreender, o mito de que as canções geniais ficam guardadas para os discos. 
E também confirma muita coisa. Que um génio não tem idade, que Sérgio Godinho não se deixou ficar num qualquer tempo passado, e que às vezes basta uma canção para podermos dizer: felizes de nós, que o temos aí para as curvas. É ouvir e conferir.
Rendido, adormeci ontem com ela, e com ela acordo hoje…

http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt/nao-ha-idade-para-um-genio-nos-463703

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Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…