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Um das mais importantes ferramentas da interioridade é o ato de deixar que as coisas sejam como são. E talvez não haja tempo mais apropriado do que este para deixar que cada coisa seja como é: deixar que o Sol seja Sol; deixar que o frio seja frio; deixar que Deus seja Deus; deixar que aquela pessoa seja como é. Não é um deixar permissivo ou complacente: é um deixar integrador e celebrativo que nos permite ser como somos, com as pessoas e as coisas, que são como são. E quando cada coisa é como é, a verdade, a paz, a alegria acabam por vir ao de cima. É a esse nascer por dentro - fruto da aceitação - que todos somos convidados.

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Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…