Avançar para o conteúdo principal

A Quaresma é sinal de mais

Às vezes entramos na Quaresma a fazer uma lista do que vamos retirar. Ou, sem termos consciência disso, entramos com um ar triste e pesado. São 40 dias. É muito tempo no deserto.


Mas a Quaresma não é sinal de menos. De pouco nos servirá tirar o chocolate da nossa alimentação, reduzir refeições, evitar festas, tirar coisas boas da agenda e penar. Passaremos mais tempo a pensar no que é de menos em vez de acolhermos a proposta de pensar no que nos pode conduzir a sermos mais (+).

A Quaresma é por isso, pela Cruz, sinal de mais. De adição. De adição de uma oportunidade, de um tempo, de um espaço, de um desafio, para o qual muitas vezes não estamos disponíveis. "Não temos tempo!"

A Quaresma é sinal de mais. De somarmos à nossa vida mais tempo para estar e ouvir os outros, mais espaço para nos sentarmos com Deus e ouvirmos em vez de começarmos nós a conversa, mais ânimo para as tarefas que custam e que nos levam horas de queixumes, mais vontade de amar apesar das dores e fragilidades dos outros e das nossas. De termos mais noção da nossa pequenez e fragilidade. De nos darmos um desconto e deixarmos de querer ser deuses, porque só nas mãos do verdadeiro Deus seremos mais livres.

Na Quaresma, as coisas da vida que nos doem não deixam de doer. Mas não é por fazermos com que doam mais que elas ganham sentido ou que agradamos ao Senhor. Mas é por fazermos caminho trazendo essas dores connosco que seremos mais, amaremos mais, e encontraremos Jesus. De uma nova maneira. Num novo deserto. Uma nova Quaresma.

E nesse encontro repleto da novidade da vida presente, aí sim, precisamente aí, caminhando com Ele ao nosso lado, acompanharemos este Mistério, esta Paixão, com a certeza de que Cristo Ressuscitado nos deixou a maior lição de amor e a mais bela oportunidade para amarmos.


Rita Sacramento Monteiro (13-03-2017)
http://www.imissio.net/v2/cronicas/a-quaresma-e-sinal-de-mais:5364

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…