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Este prin­cí­pio, de que há uma fonte de luz (de conhe­ci­mento, de sabe­do­ria, de Deus, do que qui­se­rem) exte­rior a nós, leva-nos a um dos pri­mei­ros prin­cí­pios da huma­ni­dade: o da con­cór­dia do ethos, que a todos ilu­mina por igual. Ao con­trá­rio do rela­ti­vismo moral, onde se parte do eu para um todo desar­mó­nico, neste parte-se de um todo har­mó­nico para o eu.
E só este prin­cí­pio nos con­duz, à segunda con­di­ção de huma­ni­dade (no sen­tido em que se opõe à ani­ma­li­dade): o da tole­rân­cia. Ape­nas sabendo que há, exte­ri­or­mente, uma fonte de luz que gra­vou algo em todos nós, mas da qual não sabe­mos ao certo o que é, onde se encon­tra ou pode encontrar-se, ape­nas assim é pos­sí­vel a tole­rân­cia e a uni­ver­sa­li­dade na rela­ção com o outro, Como se vivês­se­mos num cír­culo, cujo cen­tro des­co­nhe­cês­se­mos ou nos cegasse, obrigando-nos a reco­nhe­cer raci­o­nal­mente que o outro, mesmo estando na posi­ção oposta à nossa, pode estar mais perto desse cen­tro que é a verdade.
Isto, caro Manuel, não é sobre­tudo her­mé­tico nem meta­fí­sico. É, sobre­tudo, pro­fun­da­mente humano.
http://www.escreveretriste.com/2012/12/eu-podia-ser-da-religiao-dele/

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Oh Senhor

Ó Senhor, que difícil é falar quando choramos, quando a alma não tem força, quando não podemos ver a beleza que tu entregas em cada amanhecer.
Ó Senhor, dá-me forças para poder encontrar-te e ver-te em cada gesto, em cada coisa desta terra que Tu desenhaste só para mim.
Ó Senhor, sim, eu seu preciso da tua mão, do abraço deste amigo que não está. Dá-me luz, à minha alma tão cansada, que num sonho queria acordar.
Ó Senhor, hoje quero entregar-te o meu canto com a música que sinto. Eu queria transmitir através destas palavras. Fico mais perto de ti.

Máscaras D’Orfeu

Finjo Finjo tanto
Que até a pensar finjo que penso Finjo tanto, que fujo em cavalos de fumo
Num galope de gazela de vento, com olhos de lua
E lágrimas húmidas de mundos tristes
Só para imitar beleza de imagens que nunca tive (momento doce nesta tempestade subterrânea) Agora...
Agora a infância já me fica tão distante
Mas mesmo assim, continuo a vestir o bibe das riscas azuis
Com que me vou enlamear no pântano mais próximo
Para saborear o medo e a inocência
De quem é condenado por julgar estrelas
As pedras humilhadas desta rua que outrora me pertenceu Construo cidades de água e jardins transparentes
Onde planto flores de sono, que amo e possuo
Num acto único de metamorfose selvagem E finjo
E finjo a coragem que não tenho
No retrato mentiroso da moldura onde me exibem
Com o sorriso irónico da punhalada traiçoeira (Futuro génio da família… dizem eles) Promoção gratuita na condição de nunca ser eu
Mas sim, o cadáver ambulante da sua vontade Querem-me vestido de carne à sua semelhança!
Na…