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Estou confusa e cansada no meio de tanta agitação à volta da notícia do teu nascimento, Menino Deus. Tudo à minha volta me procura informar e quer dar a boa notícia: é Natal. Também eu vivi a expectativa da tua chegada. Preparei tudo o que me pareceu útil e importante. Cansei-me na azáfama para que nada te faltasse.
A notícia do teu nascimento correu veloz; eu já tenho conhecimento, mas ainda não caí de joelhos, em silêncio, simplesmente saboreando a Tua presença. 
De dia e de noite uma estrela guia os meus passos e parece falar; pede-me que me meta a caminho, sozinha, sem medo de andar pelas planícies ou pelos cumes dos montes; diz-me que não me faltará luz no caminho para ajudar os meus passos vacilantes; diz-me que Deus ama tanto as criaturas que não resiste ao desejo de assumir a condição humana. Recém-nascido – parece dizer-me a estrela – Ele não sabe falar, não sabe andar, não sabe comer, não sabe proteger-se do frio; precisa de mim para sobreviver; precisa dos meus cuidados para crescer e se tornar grande no mundo.
Obrigada, estrela, por me apontares o caminho do Natal; anseio pelo momento em que as palavras se calem para se ouvir o sussurro do silêncio que envolve a paz e que anuncia um estilo transcendente de habitar o mundo.
Isabel Varanda

http://rr.sapo.pt/rubricas_detalhe.aspx?fid=70&did=89602

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Oh Senhor

Ó Senhor, que difícil é falar quando choramos, quando a alma não tem força, quando não podemos ver a beleza que tu entregas em cada amanhecer.
Ó Senhor, dá-me forças para poder encontrar-te e ver-te em cada gesto, em cada coisa desta terra que Tu desenhaste só para mim.
Ó Senhor, sim, eu seu preciso da tua mão, do abraço deste amigo que não está. Dá-me luz, à minha alma tão cansada, que num sonho queria acordar.
Ó Senhor, hoje quero entregar-te o meu canto com a música que sinto. Eu queria transmitir através destas palavras. Fico mais perto de ti.
Já não se espera nada de nós?
Irene Guia, Aci
23 Abril 2018
https://pontosj.pt/opiniao/ja-nao-se-espera-nada-de-nos/

Invade-me uma indignação que até sinto fisicamente quando a falta de verdade, as “falcatruas”, os “esquemas” ilícitos, que vêm à ribalta não encontram a correspondente resposta moral.
A última vez que a senti foi quando mais um caso de “enriquecimento ilícito” de um Curriculum Vitae teve como reação de uma relevante figura pública, com um cargo de grande responsabilidade, o seguinte comentário publicado pelo Expresso a 11 de março de 2018: «é inequívoco que ele fez referência a um aspeto do seu currículo que não era preciso e corrigiu, é esta informação que eu tenho e ele deu essa informação à comunicação social».
A única resposta que eu queria, que eu precisava de ter ouvido, era: é grave se o fez, é talvez ainda mais grave se se o está falsamente a acusar. Que jogadas, que esquemas, que dívidas retribuídas em favores nos impedem de continuar a ser moralmente livres? Um a…
Há conversas que são como alguns rios moçambicanos, plenos de bancos de areia. Levam-nos a desviar a rota e a parar onde não temos mapa.

Helena Ferro de Gouveia